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AGU quer cobrar família Bolsonaro por gasto com advogados que vai defender Alexandre de Moraes nos EUA

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O valor total do contrato pode atingir US$ 3,5 milhões, equivalente a R$ 18,9 milhões na cotação atual

A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que tomará medidas para cobrar o reembolso do valor gasto com o escritório de advocacia dos Estados Unidos, contratado para atuar contra sanções ao Brasil.

No anúncio, feito nesta quarta-feira 17, a AGU afirmou que “adotará medidas para obter, junto aos eventuais responsáveis pelos danos causados ao Brasil, o ressarcimento dos valores despendidos”.

Embora não cite nomes, a AGU direciona a mensagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

O valor total do contrato pode atingir US$ 3,5 milhões, equivalente a R$ 18,9 milhões na cotação atual.

Segundo a CNN Brasil, a AGU pretende cobrar o ressarcimento das pessoas que o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar por “ataques à soberania nacional”.

A Polícia Federal já indiciou tanto Jair Bolsonaro quanto Eduardo Bolsonaro, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) pode denunciá-los.

Eduardo Bolsonaro ironiza anúncio da AGU

Pelas redes sociais, Eduardo Bolsonaro ironizou o anúncio da AGU.

“Imagina se a AGU tivesse esse mesmo apetite para correr atrás dos bilhões roubados dos aposentados do INSS?”, escreveu Eduardo em uma publicação no X. “Mas aí não vai, pois o irmão do Lula está envolvido. O Brasil está te vendo, Bessias. Depois não venha dizer que é ataque à democracia te chamar pelo nome.”

O escritório Arnold & Porter Kaye Scholer LLP, especializado em litígios internacionais, será responsável pela defesa do Brasil em questões administrativas e judiciais nos Estados Unidos.

O governo Lula fará os pagamentos conforme a demanda dos serviços, variando de acordo com a complexidade de cada caso.

Jurista diz que “cobrança pode caracterizar abuso de autoridade”

Ao comentar o caso, o advogado constitucionalista André Marsiglia disse que a AGU não poderia cobrar a família Bolsonaro pelos gastos do governo Lula com o escritório de advocacia nos EUA.

“No máximo, pode ajuizar posteriormente uma ação de regresso buscando comprovar que o Estado não deu causa a esses custos”, explicou Marsiglia em publicação no X. “A ação seria uma aventura, e a cobrança pode caracterizar abuso de autoridade por parte dos responsáveis.”

Em outro post, Marsiglia afirmou que “a AGU cria narrativa de que os Bolsonaro são culpados pelos custos, antes que alguém alegue que Moraes é o culpado, antes que se questione se o Estado deveria entrar nisso”.

“Antes de todos apontarem o dedo para a AGU e para Moraes, a AGU aponta o dedo aos Bolsonaro”, concluiu.