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Centro de Manaus em Crise: É preciso mais que indignação, é hora de ação concreta

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Por Edson Sampaio

O coração histórico e comercial de Manaus pulsa cada vez mais fraco diante de uma realidade que salta aos olhos e sufoca as esperanças: a presença crescente de pessoas em situação de rua, muitas em extrema vulnerabilidade social, acompanhada por uma onda de criminalidade que transforma o centro da cidade em território de medo, abandono e inação política.

Não se trata apenas de um problema de segurança pública. Trata-se, antes de tudo, de uma tragédia humana. É visível que o Estado tem falhado na promoção de políticas eficazes para lidar com a exclusão social, o agravamento da dependência química e a ausência de oportunidades que empurram homens e mulheres para as calçadas como último refúgio. E nesse vácuo de políticas públicas, surgem os efeitos colaterais: roubos, furtos, conflitos e a retração do comércio.

Comerciantes têm fechado suas portas em horários que antes eram de movimento intenso. Clientes evitam circular pela área central da cidade. O turismo, que poderia ser um motor econômico relevante, corre sérios riscos com a degradação urbana e a sensação constante de insegurança. Manaus, com toda sua história, cultura e potencial, está perdendo espaço para o medo e a indiferença.

Mas há caminhos possíveis. Exemplo disso é o que foi feito em Florianópolis-SC , onde políticas públicas integradas entre prefeitura, assistência social, saúde mental e segurança conseguiram reduzir significativamente o número de pessoas em situação de rua no centro da capital. A cidade apostou na criação de centros de acolhimento humanizados, com equipes multidisciplinares, e programas de reintegração social com capacitação profissional e retorno assistido às cidades de origem.

Sorocaba-SP , no interior de São Paulo, também é referência: o município investiu em programas como o “HumanizAção”, que mapeia os pontos de maior vulnerabilidade, acolhe as pessoas em situação de rua com foco em tratamento contra a dependência química, abrigo e requalificação profissional. O resultado? Redução dos índices de violência urbana, reocupação segura dos espaços públicos e valorização do centro histórico.

Manaus não precisa reinventar a roda. Precisa, com urgência, de vontade política. A solução exige mais do que operações pontuais da polícia ou varrições esporádicas de limpeza urbana. É necessário um plano municipal de enfrentamento à vulnerabilidade social, aliado a projetos de lei consistentes na Câmara Municipal e à captação de recursos federais que garantam a sustentabilidade dessas ações.

O Congresso Nacional tem discutido, por exemplo, projetos voltados à reinserção social de moradores de rua, mas sem mobilização local, esses recursos nunca chegarão à nossa realidade. É papel da Prefeitura de Manaus e do Governo do Estado atuar conjuntamente para apresentar projetos consistentes ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, além de firmar parcerias com ONGs e setor privado.

E que fique claro: não se trata de “limpar” o centro da cidade, como se essas pessoas fossem invisíveis ou descartáveis. Trata-se de resgatar vidas, restaurar a dignidade humana e recuperar um espaço urbano que pertence a todos nós.

Enquanto a omissão prevalecer, o centro de Manaus continuará sendo espelho daquilo que o poder público se recusa a enxergar: a falência de um modelo de gestão que prefere ignorar o problema a enfrentá-lo de frente.

A população manauara não pode mais esperar. Ou se age agora, com responsabilidade, empatia e planejamento, ou estaremos condenando nossa capital à decadência. O tempo da promessa passou. Chegou a hora de agir.