Enquanto a esquerda no Amazonas segue desarticulada e com baixa aceitação popular, a Direita parece desperdiçar novamente o momento favorável por pura disputa interna. Em vez de construir uma aliança sólida rumo às eleições de 2026, as principais lideranças conservadoras no estado adotam um caminho de fragmentação, rivalidade e vaidade política. O resultado? Um campo majoritário que segue dividido, vulnerável e, em última instância, poderá ser derrotado por seus próprios erros, repetindo 2022 e 2024.
A avaliação é unânime entre analistas locais: a Direita amazonense prefere se autodestruir do que se unir para vencer as eleições.
Os principais nomes da Direita no Amazonas, Wilson Lima, Coronel Menezes, Alfredo Nascimento e o deputado federal Capitão Alberto Neto, estão todos de alguma forma em rota de colisão. Disputam espaços, influência e protagonismo no eleitorado bolsonarista, mas não conseguem sentar na mesma mesa para construir um projeto de poder unificado.
Wilson Lima, atual governador, pretende disputar o Senado em 2026, mas ainda não convenceu grande parte da base conservadora, que não o enxerga como um “Bolsonarista Raiz” e ainda não abraçou o seu discurso.
Coronel Menezes, nome histórico da Direita raiz no estado, tenta se viabilizar como alternativa fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do governador Wilson Lima pode também buscar o Senado, concorrer a deputado federal e até uma candidatura ao governo, caso encontre uma sigla partidária que lhe ofereça essa possibilidade.
Alfredo Nascimento, presidente estadual do PL, enfrenta desgaste interno, não é aceito pela Direita e perdeu até o controle da própria bancada na Câmara Municipal de Manaus. Sem carisma e identificação com a Direita e Bolsonaro tenta ser o comandante de um processo político que não convence.
Capitão Alberto Neto quer continuar protagonizando, seu capital político cresceu nas últimas eleições e tem o apoio declarado de Bolsonaro para a disputar o senado em 2026, mesmo saindo derrotado por uma diferença do 100 mil votos nas eleições municipais, está viabilizado para a disputa.
O impasse é claro: ninguém quer abrir mão de nada, mesmo sabendo que divididos não vencerão.
Com a esquerda desidratada no estado, Lula continua com baixa popularidade em Manaus, e figuras como Eduardo Braga e Omar Aziz encontram resistência crescente, a Direita teria campo fértil para dominar. Mas a insistência em candidaturas isoladas como a de Maria do Carmo Seffair para o governo do estado e sua recusa ao diálogo podem colocam tudo a perder.
Em 2024, a eleição municipal em Manaus já mostrou o efeito disso: a Direita não conseguiu apresentar um nome vencedor, e viu outros grupos ocuparem o espaço, David Almeida acabou reeleito mesmo com uma enorme rejeição da população de Manaus.
A guerra de egos entre líderes de direita no Amazonas não é nova, mas se intensificou nos últimos anos com a ausência de uma coordenação estadual efetiva. A saída conturbada de Menezes do PL em 2024 devido a sua briga com Alfredo Nascimento, agravou ainda mais as disputas internas e agora sem uma figura unificadora clara, a construção de uma Direita unida e forte é quase uma utopia.
A base conservadora no Amazonas vive um paradoxo: é numerosa, mobilizada nas redes, mas minoritária no interior e politicamente desorganizada. E isso tem custado caro.
Se a Direita quiser vencer em 2026 — seja com o Senado, o Governo do Estado ou deputados federais, precisará vencer antes o seu próprio instinto autodestrutivo. Sem aliança, sem renúncia de projetos pessoais e sem articulação madura, continuará sendo uma força política com potencial, mas sem resultado.
A pergunta que fica é: vão esperar outro ciclo eleitoral perdido para aprender, ou vão acordar enquanto ainda há tempo?
*Com informações foconofato











