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Conflito entre Israel e terroristas chega ao décimo dia, com 4 mil mortos e espera da ofensiva terrestre

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Exército israelense convocou 300 mil reservistas para engrossar as fileiras, num movimento inédito da vida militar do país

O conflito entre o Exército de Israel e o grupo terrorista Hamas entra no décimo dia, com um saldo de quatro mil mortos: 2,6 mil no lado palestino e 1,4 do lado israelense — além de 155  israelenses mantidos como reféns na Faixa de Gaza. Existe a expectativa iminente de uma grande incursão terrestre de Israel. Tanques e blindados estão posicionados e se movimentando na fronteira de Gaza, onde parte dos civis deixaram a região, após um ultimato esgotado no domingo (15), o que só aumenta a tensão no enclave com mais de dois milhões de habitantes.  O Exército de Israel convocou 300 mil reservistas para engrossar fileiras, num movimento inédito da vida militar do país.

O resgate dos reféns que possivelmente estejam em túneis no subsolo de Gaza é tratado como uma prioridade na operação. Além da segurança dos reféns, combater numa área tão densamente povoada também é um complicador. Há temor de que os terroristas utilizem civis como escudos humanos.

Israel anunciou ter preparado um ataque coordenado contra Gaza, controlada pelos fundamentalistas do Hamas, por terra, mar e ar, mas com ênfase em uma consistente operação terrestre. Em apoio à ofensiva, os Estados Unidos enviaram dois porta-aviões ao Mediterrâneo Oriental. Na sexta (13), o USS Dwight D. Eisenhower, um dos maiores do país, deixou o estado da Virgínia. A presença americana em apoio a um aliado histórico também é um recado ao Irã para evitar um envolvimento na guerra, atuando em defesa dos terroristas palestinos.

A guerra entre Israel foi deflagrada no sábado (7), quando pelo menos 1.500 palestinos integrantes do grupo terrorista do Hamas avançaram pelo sul de Israel, rompendo o bloqueio da Faixa de Gaza e promovendo um massacre sem precedentes, matando e sequestrando civis de forma selvagem. Foi o pior ataque terrorista sofrido pelo povo judeu em seu território.

Exército israelense convocou 300 mil reservistas para engrossar as fileiras
Exército israelense convocou 300 mil reservistas para engrossar as fileiras
MENAHEM KAHANA / AFP-15/10/2023

Israel respondeu aos mísseis palestinos com intensos bombardeios a Gaza, que teriam deixado mil palestinos soterrados e, segundo a Defesa Civil, muitos ainda vivos. Mas Israel também vem sofrendo ataques de outros grupos, como o Hezbollah. No domingo (15), o exército israelense postou na rede social X (antigo Twitter) que já recebeu nove ataques de mísseis antitanque vindos do sul do Líbano. Cinco desses foguetes foram interceptados pelo sistema antiaéreo israelense. 

As Forças de Defesa não mencionam o Hezbollah no texto, mas o grupo terrorista atua naquela região libanesa e já fez outros ataques no norte de Israel nesses últimos dias de confronto com os terroristas do Hamas. A presença do Hezbollah pode criar mais uma frente de combate no conflito.

Crise humanitária

O conflito provocou ainda uma crise humanitária, envolvendo brasileiros que estavam em Israel e na Faixa de Gaza. O governo brasileiro repatriou mais de 900 brasileiros, que estavam em Israel e já retornaram ao Brasil em voos da Força Aérea Brasileira.

No domingo (15), o embaixador do Brasil na Cisjordânia, Alessandro Candeas, disse esperar que os brasileiros que aguardam repatriação na Faixa de Gaza possam atravessar hoje (16) a fronteira para o Egito, em passagem próxima a Rafá.

Um grupo de 28 pessoas, 22 brasileiros e seis palestinos com residência no Brasil, segue abrigado nesta cidade e em Khan Yunis, no sul de Gaza, aguardando autorização do governo egípcio para cruzar a fronteira.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
REPRODUÇÃO REDES SOCIAIS/TWITTER – @NETANYAHU

O embaixador afirmou que a saída dos brasileiros depende da abertura da passagem para o Egito e também da autorização das autoridades de imigração, que precisam carimbar os passaportes dos brasileiros.

Segundo o governo brasileiro, após cruzar para o Egito, as pessoas serão trazidas ao Brasil no avião VC-2 da Presidência da República, com capacidade para transportar até 40 passageiros.