Um dos primeiros atos do governador Wilson Lima após ser confirmado no comando do União Brasil no Amazonas foi desistir de duas ações de investigação judicial eleitoral que seu partido tinha movido no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) contestando as eleições dos deputados Silas Câmara e Adail Filho, ambos do Republicanos. Em caso de sucesso, os dois seriam cassados e abririam vagas para o partido de Lima, que ficaria com as maiores sobras e emplacaria Pauderney Avelino e o delegado federal Pablo Oliva. A desistência irritou os dois políticos, que agora se posicionam na oposição ao Governo.
Avelino está exercendo mandato graças à nomeação do deputado Fausto dos Santos Junior em cargo do primeiro escalão do Estado.
Juristas ouvidos pelo blog dizem que as chances de êxito nas ações movidas contra os deputados do Republicanos eram grandes, até por causa do volume de provas e depoimento que apontariam para possível compra de votos. Em ambos os casos eles eram acusados de abuso do poder econômico. Existe ainda uma terceira ação, movida pelo Ministério Público Eleitoral, que mira especificamente em Câmara, já com votos suficientes para a cassação.
A atitude do governador foi motivada pelo desentendimento com Avelino, a quem ele recentemente considerou “persona non grata” no Governo. Os dois disputam o comando do União Brasil no Estado. Já Oliva é secretário do Diretório Estadual e esperava ter apoio de Lima para voltar ao mandato. Ele não foi comunicado sobre a desistência e se considerou apunhalado pelas costas.
O delegado avalia ingressar com nova representação, à revelia do partido, e vai à Direção Nacional, já que interessa à legenda ganhar mais dois deputados federais. Ele também entende que, diante de tudo o que o Ministério Público Eleitoral conseguiu apurar, haveria motivos suficientes para que os procuradores acionassem o Pleno do TRE-AM para retomar os processos.
“Ele arrumou um inimigo que pode lhe complicar muito”, disse fonte do blog sobre Lima e Oliva. “Até aqui a briga era só com o Pauderney, mas agora será com um delegado federal”, acrescentou.