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Vorcaro: Master dá continuidade a escândalos históricos no Brasil

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Lista inclui os famosos casos dos bancos Marka, Santos e de empresários acusados de fraudes bilionárias

A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, na quarta-feira 4, recolocou em pauta um fenômeno que assola o sistema financeiro brasileiro: a sucessão de escândalos. Estes, ao longo das últimas três décadas, derrubaram empresários, banqueiros e políticos envolvidos em fraudes bilionárias. Muitos deles, no entanto, deixaram a prisão em um prazo considerado curto, se for levado em conta o prejuízo que causaram à sociedade.

Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 1999, com a quebra do Banco Marka. O banqueiro Salvatore Cacciola, controlador da instituição, tornou-se personagem central do escândalo depois de o banco receber um socorro bilionário do Banco Central (BC) do Brasil durante a crise cambial daquele ano.

As investigações constataram irregularidades na operação e Cacciola foi condenado por crimes contra o sistema financeiro. Antes da conclusão do processo, ele deixou o Brasil e viveu no exterior durante anos. Em 2007 foi preso em Mônaco e extraditado para o Brasil em 2008. Cumpriu pena em presídios do Rio de Janeiro e posteriormente passou ao regime semiaberto e à prisão domiciliar. Depois de cumprir parte significativa da pena e obter progressões previstas na legislação penal, deixou o sistema prisional.

Outro caso marcante foi o colapso do Banco Santos, em 2004. O controlador da instituição, Edemar Cid Ferreira, havia se tornado conhecido não apenas como banqueiro, mas também como grande colecionador de arte. O banco quebrou depois de o BC decretar intervenção diante de indícios de gestão fraudulenta e rombo bilionário. Edemar foi preso durante as investigações e condenado por crimes contra o sistema financeiro.

Parte de sua coleção de obras de arte, incluindo peças apreendidas no exterior, acabou sendo repatriada ao Brasil depois de decisões judiciais. Com o avanço da execução penal e progressões de regime, ele deixou a prisão. Morreu em 2024, aos 80 anos.

Entre os escândalos que misturaram política e corrupção, um dos mais conhecidos foi o caso das obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, em São Paulo. Na ocasião, o juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau (1929 – 2020), foi condenado por peculato, estelionato e corrupção passiva relacionados ao desvio de cerca de R$ 169 milhões na obra do TRT‑SP.

O então senador Luiz Estevão foi acusado de participar do esquema de desvio de recursos públicos destinados à construção do prédio do tribunal. Depois de mais de duas décadas de disputas judiciais, ele começou a cumprir pena em 2016, seguindo decisão do Supremo Tribunal Federal.

Estevão ficou preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, antes de obter progressões de regime. Posteriormente, a Justiça reconheceu a aplicação do indulto natalino de 2022 às condenações principais do caso, extinguindo a pena relacionada ao escândalo do TRT. Hoje ele se encontra em liberdade.

Outros antecessores do caso Master

Já na década de 2010, outro personagem simbolizou o auge e a queda de grandes fortunas empresariais no Brasil. O empresário Eike Batista, que chegou a figurar entre os homens mais ricos do mundo durante o auge de seu grupo empresarial, viu seu império desmoronar depois do fracasso de projetos no setor de petróleo e a crise de suas empresas de capital aberto.

Em 2017 ele foi preso no âmbito da Operação Lava Jato, acusado de pagar propina ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB). Batista permaneceu detido por alguns meses, mas obteve habeas corpus e passou a responder ao processo em liberdade. Nos anos seguintes enfrentou condenações judiciais e acordos financeiros, além de perdas patrimoniais expressivas, mantendo ainda disputas judiciais decorrentes das investigações.

No mesmo período, o maior escândalo de corrupção empresarial da história recente do país atingiu a construtora Odebrecht, hoje rebatizada como Novonor. O então presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, foi preso em 2015 durante a Operação Lava Jato, acusado de comandar um esquema sistemático de pagamento de propina a políticos e autoridades, no Brasil, governado pelo PT, e em diversos países.

Em 2016 ele foi condenado por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público e teve a pena reduzida. Depois de cumprir parte da condenação em regime fechado e domiciliar, passou para regimes mais brandos e deixou o sistema prisional.