Por: [Manuel Menezes]

O vereador de Humaitá Cristovo de Uruapiara foi um dos principais representantes da população durante a audiência de conciliação promovida pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), realizada nesta segunda-feira (7), para discutir as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica no município, principalmente nas comunidades ribeirinhas.

A audiência, que buscava encontrar soluções para os frequentes apagões que atingem localidades como o Distrito de Auxiliadora e o Lago do Uruapiara, foi marcada pela ausência dos representantes das empresas Âmbar Energia S/A e Powertech Engenharia Serviços, responsáveis pelo sistema de geração e distribuição de energia na região.

Durante o encontro, Cristovo destacou a realidade enfrentada diariamente pelas famílias ribeirinhas, que convivem com longos períodos sem energia elétrica, prejudicando o funcionamento de escolas, postos de saúde, comércios e a conservação de alimentos e medicamentos.

“Os moradores estão em busca de dias melhores e vivenciam o abandono total por parte das empresas. Humaitá agradece muito à Defensoria, porque vimos os defensores saírem de Manaus, enfrentarem cinco horas de lancha para conhecer de perto essa realidade. Isso demonstra respeito com o nosso povo e fortalece nossa esperança de que esse problema finalmente seja resolvido.”, afirmou o vereador.

Cristovo ressaltou que sua participação na audiência representa o compromisso assumido com as comunidades da zona rural, especialmente aquelas que mais sofrem com a precariedade dos serviços públicos.

“Como vereador e também como morador da região, conheço de perto o sofrimento das famílias. Não estamos pedindo favor, estamos cobrando um direito básico da população. Energia elétrica é essencial para garantir saúde, educação, segurança e qualidade de vida.”, destacou.

Mais de mil interrupções em apenas um ano

Dados apresentados pela Defensoria Pública apontam que, somente nos últimos 12 meses, foram registrados 1.067 episódios de interrupção no fornecimento de energia em Humaitá, sendo 138 ocorrências diretamente relacionadas à geração de energia. Ao todo, as comunidades acumularam 272 horas de desabastecimento, comprometendo serviços essenciais.

A situação se torna ainda mais preocupante diante da previsão de uma nova estiagem severa no Amazonas, que poderá dificultar ainda mais o acesso das equipes de manutenção às comunidades ribeirinhas.

Empresas ignoram audiência e prazo da Defensoria

A ausência das empresas responsáveis foi criticada pelos participantes da audiência. Além de não comparecerem ao encontro, as concessionárias também deixaram de responder, dentro do prazo estabelecido, ao ofício encaminhado pela Defensoria Pública com diversas solicitações para solucionar os problemas enfrentados pela população.

Caso a situação permaneça sem solução, a Defensoria informou que ingressará com uma Ação Civil Pública, podendo requerer multa de aproximadamente R$ 44 milhões por danos coletivos causados aos moradores.

Cristovo defende união para garantir solução definitiva

Ao final da audiência, Cristovo de Uruapiara reforçou que continuará acompanhando o caso e cobrando providências até que as comunidades tenham um serviço de energia digno e contínuo.

“Não vamos desistir dessa luta. As famílias do Lago do Uruapiara, do Distrito de Auxiliadora e de todas as comunidades ribeirinhas merecem respeito. Vamos continuar ao lado da Defensoria Pública, da Prefeitura e da população para cobrar das empresas a responsabilidade que elas têm com Humaitá.”

A audiência integra uma série de ações conduzidas pela Defensoria Pública do Amazonas em parceria com a Prefeitura de Humaitá para buscar uma solução definitiva aos problemas no fornecimento de energia elétrica que há anos afetam milhares de moradores da zona rural do município.

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