O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 2ª feira (2.fev.2026) que o processo eleitoral brasileiro enfrenta novas ameaças e defendeu atuação firme da Justiça para assegurar a soberania do voto.
Segundo o presidente, cabe à Justiça Eleitoral agir com rigor e precisão para permitir que a vontade popular prevaleça. “Uma mentira contada mil vezes tem o poder de influenciar o processo eleitoral”, afirmou ao discursar na abertura do Ano Judiciário, no STF (Supremo Tribunal Federal).
Lula disse que a democracia brasileira saiu fortalecida após os ataques de 8 de Janeiro, mas alertou que os riscos ao sistema eleitoral se intensificaram com o avanço tecnológico.
Leia os principais riscos às eleições apontados por Lula:
- abuso de poder econômico – uso de recursos financeiros para interferir no resultado do pleito;
- fake news – disseminação coordenada de informações falsas para manipular a opinião pública;
- algoritmos de plataformas digitais – impulsionamento artificial de conteúdos com viés político;
- contratação de influenciadores – atuação paga em redes sociais para atacar adversários e instituições;
- uso indevido de inteligência artificial – falsificação de imagens, áudios e vídeos para criar realidades paralelas;
- manipulação digital organizada – ações coordenadas para distorcer o debate público durante campanhas;
- velocidade da desinformação – dificuldade de resposta institucional diante da rápida circulação de conteúdos falsos.
Os ataques de 8 de Janeiro de 2023 foram registrados poucos dias depois de Lula ter assumido a Presidência da República novamente. As invasões às sedes dos Três Poderes foram motivadas pela rejeição de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao resultado das eleições de 2022 e tiveram como objetivo romper a ordem constitucional.
Ainda em discurso nesta 2ª feita (2.fev), Lula destacou o papel do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) como guardião da legitimidade das eleições e afirmou que o país precisa estar preparado para enfrentar práticas que distorcem o debate público.
“O desafio é garantir que a Justiça brasileira consiga fazer frente a transformações que se impõem de maneira veloz”, disse.
Lula afirmou que o enfrentamento desses riscos exige atuação conjunta do Judiciário, do governo, das plataformas digitais e dos meios de comunicação. “A Justiça Eleitoral deve contar com ferramentas modernas para agir com rigor, imparcialidade e precisão”, declarou.
Segundo o presidente, o debate público qualificado será decisivo no ano judiciário que se inicia. “Não temos o direito de errar”, afirmou.
Leia os principais assuntos abordados por Lula em seu discurso:
- defesa das instituições – “Compareço a esta solenidade para reafirmar o compromisso das instituições brasileiras com a Constituição, a democracia e a soberania do Brasil”;
- ataques de 8 de Janeiro – “Foi um ataque frontal às instituições democráticas, que tentou romper a ordem constitucional e desrespeitar a vontade do povo brasileiro”;
- confiança institucional – “Hoje, participo desta celebração republicana com a confiança e a esperança renovadas”;
- resposta ao golpismo – “O Brasil é muito maior do que qualquer golpista e qualquer traidor da pátria”;
- papel do STF – “O Supremo Tribunal Federal não buscou protagonismo, muito menos tomou para si atribuições de outros Poderes”;
- ameaças aos ministros – “Por agirem de acordo com a lei, ministras e ministros desta Corte enfrentaram pressões e até ameaças de morte”;
- resolução de conflitos políticos – “No Brasil, divergências políticas se resolvem pelas urnas, pelo diálogo constitucional e pelas leis”;
- equilíbrio entre Poderes – “A Constituição exige diálogo permanente entre Executivo, Legislativo e Judiciário”;
- soberania nacional – “Reafirmamos que nenhuma nação se constrói sob tutela”;
- julgamento dos golpistas – “Aqueles que atentaram contra a democracia tiveram julgamento justo, com amplo direito de defesa”;
- fortalecimento democrático – “A democracia brasileira saiu desse processo mais forte e mais madura”;
- mensagem contra novas rupturas – “Os responsáveis por qualquer futura tentativa de ruptura democrática serão punidos com o rigor da lei”;
- papel do TSE – “O Tribunal Superior Eleitoral tem sido um pilar fundamental da soberania do voto e da legitimidade do processo eleitoral”;
- desafios tecnológicos – “Uma mentira contada mil vezes tem o poder de influenciar o processo eleitoral”;
- uso de IA e fake news – “A Justiça Eleitoral precisa agir com rigor e precisão para que a vontade popular prevaleça”;
- independência do Judiciário – “Independência não significa isolamento, mas convivência institucional harmônica”;
- combate ao crime organizado – “Não importa onde os criminosos estejam nem o tamanho da conta bancária. Todos pagarão pelos crimes que cometeram”;
- violência contra a mulher – “Assassinos e agressores devem ser punidos com rigor, mas também é preciso educar os meninos”;
- responsabilidade social – “Mais do que um pacto entre os Poderes, esse compromisso precisa envolver os homens”;
- democracia como processo – “A democracia não está pronta. Está em permanente construção e exige compromisso e coragem”.











