O governo da Venezuela libertou ao menos 60 pessoas presas pelos protestos que tomaram conta do país, depois da proclamação do terceiro mandato de Nicolás Maduro como presidente. Cerca de 2,5 mil venezuelanos foram presos pelas manifestações.
As solturas ocorreram nesta quinta-feira, 25, no Natal, e foram confirmadas pelo Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos (Clippve), organização de direitos humanos que acompanha a situação dos presos políticos no país.
Os detidos haviam sido presos durante manifestações que se espalharam por diversas cidades depois das eleições realizadas em 2024. A população questionava a transparência do processo eleitoral, e crescia o apoio popular a María Corina Machado, opositora de Maduro que viria a vencer o Prêmio Nobel da Paz de 2025.
Maduro classificou os manifestantes como “terroristas” e acusou os opositores de tentarem desestabilizar o país. Segundo dados divulgados pelo próprio governo, mais de 2 mil desses presos já haviam sido libertados ao longo de 2024.
“Nunca deveriam ter sido detidos”, diz ativista da Venezuela
Depois do anúncio da libertação dos presos políticos, a ativista Andreína Baduel, uma das representantes do Clippve, comemorou a vitória, mas disse que ainda há muito trabalho pela frente.
“Celebramos a libertação de mais de 60 venezuelanos que nunca deveriam ter sido detidos”, afirmou Andreína. “Embora não estejam completamente livres, continuaremos trabalhando por sua plena liberdade e pela de todos os presos políticos. Ainda existem mais de mil famílias com parentes presos por razões políticas.”
A ativista é filha do general Raúl Isaías Baduel, ex-ministro da Defesa de Hugo Chávez que rompeu com o chavismo e morreu na prisão, em 2021. Outro filho do general, Josnars Adolfo Baduel, segue detido há cinco anos, também acusado de terrorismo pelo regime.
Apesar das liberações pontuais, organizações independentes afirmam que a repressão política continua. A ONG Foro Penal contabiliza atualmente ao menos 900 presos políticos na Venezuela, número que inclui civis, militares e opositores acusados de crimes como terrorismo e conspiração.











