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Valor da conta de luz deve disparar em 2026

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Depois de pressionar a inflação em 2025, a conta de luz deve voltar a pesar no bolso dos brasileiros em 2026, com aumento projetado acima da inflação oficial.

Consultorias e bancos indicam que a tarifa de energia elétrica pode subir entre 5,1% e 7,95% ao longo do ano, diante de reservatórios de hidrelétricas ainda baixos, maior utilização de termelétricas e ampliação dos subsídios pagos pelos consumidores, segundo reportagem do O Globo publicada nesta segunda-feira (23).

O superfundo da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) será novamente um dos principais fatores que pressionam os preços. Em 2026, estão previstos R$ 47,8 bilhões em subsídios, 17,7% a mais que em 2025.

Esses recursos financiam descontos para famílias de baixa renda, consumidores rurais e irrigantes — unidades que usam energia exclusivamente para irrigação ou aquicultura.

Segundo a consultoria PSR, a tarifa residencial deve avançar cerca de quatro pontos percentuais acima da inflação, atingindo 7,95%. O cálculo inclui reajustes das distribuidoras, impostos, encargos e bandeiras tarifárias, que estabelecem taxas extras quando a geração recorre a usinas mais caras, como as termelétricas, especialmente em períodos de chuvas reduzidas.

O economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, projeta aumento de 5,1%, equivalente a 1,15 ponto percentual acima da inflação esperada para 2026.

Historicamente, a elevação da conta de luz acima da inflação não é novidade. Levantamento da Abraceel (Associação dos Comercializadores de Energia) mostra que, nos últimos 15 anos, a tarifa residencial subiu 177%, enquanto a inflação avançou 122% no período, impactando diretamente a indústria, o agronegócio e os serviços.

Em 2025, a energia elétrica residencial subiu 12,31%, tornando-se o subitem com maior impacto individual no IPCA, que fechou o ano em 4,26%.

O aumento teria sido ainda maior não fosse o desconto de R$ 2,2 bilhões aplicado pelo governo petista, financiado pelo bônus da Usina Hidrelétrica de Itaipu. O custo do megawatt-hora chegou a R$ 786,76, o maior desde 2011, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

O cenário paradoxal é que o Brasil dispõe atualmente de excesso de energia, com capacidade de geração superior à demanda. Para evitar sobrecargas e riscos de apagão, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) interrompe preferencialmente parques eólicos e solares, causando perdas financeiras para essas empresas.

Em 2025, cerca de 20% da energia solar e eólica disponível foi descartada, gerando prejuízo estimado de R$ 6,5 bilhões, segundo a consultoria Volt Robotics.

Com esses fatores, especialistas alertam que os brasileiros devem se preparar para um aumento significativo nas contas de luz, enquanto o setor tenta equilibrar subsídios, oferta de energia e operação do sistema elétrico.