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TSE endurece regras contra pedidos de votos em igrejas e decisão reacende debate sobre abuso religioso nas eleições

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Corte eleitoral confirma cassações e inelegibilidade após uso de culto religioso para promoção política em São Paulo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou a endurecer o entendimento sobre o uso de igrejas e cultos religiosos em campanhas eleitorais e reacendeu um dos debates mais delicados da política brasileira: até onde vai a liberdade religiosa e onde começa o abuso de poder nas eleições.

A nova decisão da Corte manteve a cassação dos registros de candidatura da prefeita de Votorantim (SP), Fabíola Alves da Silva (PSDB), do vice-prefeito Cesar Silva (PSDB) e do vereador Pastor Lilo (MDB), após a utilização de um culto religioso para promoção política durante as eleições de 2024.

Além da cassação, os envolvidos também foram declarados inelegíveis por oito anos.

TSE vê abuso político e econômico dentro da igreja

Segundo a decisão, houve utilização deliberada da estrutura da Igreja do Evangelho Quadrangular como plataforma eleitoral.

Os ministros entenderam que:

  • candidatos participaram ativamente do culto;
  • subiram ao púlpito;
  • receberam manifestações públicas de apoio;
  • e utilizaram o ambiente religioso para impulsionar candidaturas.

Embora o TSE ainda não reconheça oficialmente o chamado “abuso de poder religioso” como categoria autônoma prevista em lei, a Corte vem enquadrando esse tipo de prática como:

  • abuso de poder político;
  • abuso econômico;
  • ou uso indevido dos meios de comunicação.

O tribunal considerou que houve desvio da finalidade religiosa para benefício eleitoral, comprometendo a igualdade da disputa.

Caso também envolve suspeita de favorecimento financeiro

Outro ponto que pesou na decisão foi um reajuste de 34,1% no contrato de aluguel pago pela prefeitura à igreja por um imóvel utilizado pela Secretaria Municipal de Cultura.

Segundo o TSE, o aumento ocorreu em ano eleitoral e sem justificativa considerada suficiente pela Justiça Eleitoral.

Os ministros entenderam que o episódio reforçou a suspeita de utilização da estrutura religiosa e financeira em favor dos candidatos investigados.

Tema divide ministros e provoca tensão com lideranças religiosas

O debate sobre abuso religioso nas eleições não é novo e há anos provoca divisões dentro do próprio TSE.

Em 2020, ministros da Corte rejeitaram criar uma figura jurídica específica para “abuso de poder religioso”, alegando:

  • falta de previsão legal;
  • risco de subjetividade;
  • e possibilidade de interferência estatal excessiva em práticas religiosas.

Na época, o ministro Edson Fachin defendia punições mais severas contra candidatos que utilizassem sua autoridade religiosa para influenciar eleitores. Parte da bancada evangélica classificou a proposta como “ativismo judicial” e ameaça à liberdade de culto.

Apesar disso, decisões recentes mostram que o tribunal passou a adotar postura mais rigorosa quando identifica:

  • pedido explícito ou indireto de votos;
  • promoção eleitoral em cultos;
  • exploração da autoridade religiosa;
  • ou uso financeiro da estrutura das igrejas.

Especialistas apontam risco de desequilíbrio eleitoral

Juristas ligados ao Direito Eleitoral afirmam que a preocupação do TSE está relacionada ao potencial de influência exercido por líderes religiosos sobre fiéis durante o período eleitoral.

O entendimento predominante na Corte é que o ambiente religioso não pode ser transformado em palanque político permanente, principalmente quando há:

  • pressão moral;
  • direcionamento explícito de votos;
  • ou uso institucional da igreja para beneficiar candidaturas.

Por outro lado, setores religiosos argumentam que proibir manifestações políticas em igrejas pode abrir margem para censura religiosa e restrição à liberdade de expressão.

Decisão pode impactar eleições de 2026

Nos bastidores políticos, a avaliação é que o novo entendimento do TSE pode influenciar diretamente as eleições de 2026, especialmente em cidades onde candidatos possuem forte ligação com igrejas e lideranças religiosas.

A decisão também serve como alerta para:

  • prefeitos;
  • vereadores;
  • deputados;
  • pastores;
  • padres;
  • e lideranças religiosas que participarem ativamente de campanhas eleitorais dentro de templos.

Embora o tribunal continue afirmando que não existe formalmente o crime autônomo de “abuso de poder religioso”, o recado da Corte ficou claro: o uso da fé como instrumento de promoção eleitoral poderá gerar cassação de mandato e inelegibilidade.