Débora Rodrigues, mãe de dois filhos pequenos que ficou dois anos presa pela pichação de uma estátua com batom, em frente ao STF, já estaria em liberdade há muito mais tempo se fosse traficante, empresária rica ou se estivesse envolvida com esquemas de corrupção.
A avaliação é do ex-procurador da República e chefe da extinta Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, em debate realizado no programa Última Análise, no canal da Gazeta no YouTube.
“A Débora não é uma criminosa violenta, não é uma grande traficante, não é uma grande empresária com muito poder econômico ou uma política corrupta com muita influência em Brasília. Aliás se fosse, ela estava solta. Querer pintar a Débora como se fosse uma ameaça à segurança nacional é simplesmente patético”, enfatizou Dallagnol.
Prisão de Débora visou intimidar outros, assegura Dallagnol
Na avaliação do ex-procurador, a prisão da cabeleireira, na verdade, foi um recado à sociedade brasileira, um alerta severo sobre o que pode acontecer se as pessoas forem às ruas criticar o STF ou o sistema eleitoral. Outro objetivo seria atingir as pessoas que apoiam Bolsonaro e o “bolsonarismo”, que o STF enxerga como ameaças à ordem democrática. Em outras palavras, manifestar apoio a esses grupos ou ideias pode ter sérias repercussões, mesmo que os atos individuais pareçam de menor gravidade.
“Fica também um sentimento pessoal de vingança de retaliação dos ministros contra as pessoas que estavam nos atos do 8 de janeiro. Embora o ministro Fux tenha se oposto a vários pontos que Morais trouxe, ele disse: ‘Olha eu também fiquei ali abalado ao ver pessoas que destruíram os documentos da minha mesa e que depredaram o prédio o lugar em que eu trabalho’. Então existe um sentimento pessoal muito forte, que mostra que eles não têm a mínima condição de imparcialidade para julgar esse caso”, sublinha Dallagnol.
Periculosidade nula, segundo Escorsim
Outro participante do debate, Francisco Escorsim, disse que o caso de Débora pode ser visto sob a metáfora da árvore e da floresta. Pela perspectiva da “árvore”, ou seja, o caso concreto de Débora e sua conduta comprovada de escrever com um batom na Estátua da Justiça, a periculosidade é “obviamente nula”. A tese de Alexandre de Moraes e da esquerda é de que estão olhando para a floresta, supostamente contaminada por “pragas”, devendo ser “botada abaixo”. Ainda que isso implique em sacrificar árvores que não estejam corrompidas ou que não oferecem risco individual.