O vereador Sargento Salazar (PL) criticou o governador do Amazonas, Wilson Lima (União), por ter se posicionado publicamente a favor da megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV), realizada na última terça-feira (28). A ação, considerada a maior da história do estado, resultou na morte de centenas de criminosos, na prisão de mais de 80 suspeitos e na apreensão de dezenas de fuzis e toneladas de drogas.
A postura do vereador causou surpresa, já que ele é oriundo da Polícia Militar e foi eleito com o discurso de defesa da segurança pública e combate ao crime organizado.
Salazar reagiu após Wilson Lima publicar, na quarta-feira (29), um vídeo em suas redes sociais manifestando apoio ao governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e às forças de segurança fluminenses. Na gravação, Wilson defende a ação policial e afirma que “o crime organizado precisa ser enfrentado com firmeza, em qualquer estado do país”.
“No Amazonas, nós também combatemos o crime organizado e não vamos permitir que facções se fortaleçam. Manifesto total apoio às forças de segurança do Rio de Janeiro e ao governador Cláudio Castro”, disse, na publicação.
Em resposta, Salazar criticou o apoio do governador. A declaração destoou da posição da maioria dos parlamentares ligados à chamada “bancada da bala” na Câmara Municipal de Manaus (CMM), que demonstraram solidariedade aos agentes de segurança.
O silêncio e a posterior crítica do vereador chamaram atenção, especialmente porque a operação no Rio ganhou repercussão nacional e internacional. A ação é vista como um marco na política de enfrentamento às facções criminosas, tema constantemente defendido por Salazar em seus discursos.
Conexão entre o CV do Rio e o Amazonas
A megaoperação também teve reflexos diretos no Amazonas. Segundo o delegado Paulo Mavignier, da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), parte da cúpula do Comando Vermelho do estado estava abrigada em comunidades dominadas pela facção no Rio de Janeiro, como Alemão, Penha e Rocinha.
“Lideranças do CV do Amazonas fugiram do estado após a pressão das forças de segurança e buscaram refúgio no Rio. Lá, encontraram abrigo e passaram a atuar como ponte entre o tráfico amazônico e o carioca”, explicou o delegado.
A aliança entre os dois núcleos da facção envolve o envio de drogas e armas do Norte para o Sudeste e o recrutamento de criminosos, fortalecendo as operações do grupo em território nacional.











