O perito Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou que o relatório elaborado pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para fundamentar a operação de busca e apreensão na casa de empresários, em 2022, foi fraudado. Tagliaferro apresentou a denúncia na tarde desta terça-feira, 2, em audiência na Comissão de Segurança Pública do Senado.

Naquele ano, os alvos da operação foram Luciano Hang, Afrânio Filho, José Peres, José Júnior, Ivan Wroble, Mauro Aurélio Raymundo, Luiz Tissot e Meyer Nigri.

A cronologia dos fatos, segundo Tagliaferro

Na época, veículos de imprensa revelaram que a decisão do ministro teve como base a reportagem publicada pelo Metrópoles, o que gerou críticas da opinião pública.

Para abafar o caso, o juiz auxiliar de Moraes no STF, Airton Vieira, teria solicitado — depois a operação da PF — a elaboração de um relatório sobre o grupo de WhatsApp citado na reportagem. Esse documento teria sido produzido em 28 de agosto, conforme imagens divulgadas por Tagliaferro. O perito alega, contudo, que o relatório aparece datado como se tivesse sido produzido em 22 de agosto — um dia antes da operação da PF. Isso configuraria fraude processual.

Oposição pede impeachment de Moraes

Senadores presentes na audiência afirmaram que a acusação é grave e poderia resultar no impeachment de Moraes. O senador Magno Malta (PL-ES) prometeu oficiar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente do STF, Luís Roberto Barroso.

A oposição acredita que, se comprovada, a fraude no processo contra os empresários é argumento suficiente para paralisar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Está comprovado o modus operandi do marginal Alexandre de Moraes para requentar provas”, afirmou o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente.

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