A prisão de Daniel Vorcaro nesta terça-feira, 18, marcou o ponto mais crítico da trajetória do controlador do Master. Ele foi detido ao tentar deixar o país em um avião particular, no mesmo dia em que o Banco Central decidiu liquidar a instituição e afastar sua direção. A partir de agora, a autoridade monetária investiga a responsabilidade do executivo por irregularidades e falhas de gestão que podem impedir seu retorno ao mercado.
Mineiro de 41 anos, Vorcaro ganhou notoriedade pela combinação de operações ambiciosas, forte presença digital e hábitos de ostentação. Ele aparecia com frequência em viagens internacionais ao lado da influenciadora Martha Graeff. Vídeos e fotos circulavam entre profissionais do setor e alimentavam críticas sobre o contraste entre a crise interna do Master e o ritmo de vida exibido por seu controlador.
Daniel Vorcaro e a Faria Lima
A relação com a Faria Lima sempre foi tensa. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, executivos comentavam, em conversas privadas, que a condução do banco levantava dúvidas sobre prudência e consistência estratégica. Apesar disso, Vorcaro buscou ocupar espaço entre os grandes do setor. Instalou o Master em endereço nobre, reformou dois andares superiores do prédio para montar sua sede e investiu pesado em marketing, incluindo campanhas de TV com celebridades e estruturas destacadas na Expert XP.
A exposição também combinava política e negócios. O empresário aproximou-se de figuras influentes de diferentes correntes. Ele participava de eventos no Brasil e no exterior e mantinha encontros frequentes com autoridades de Brasília. O Master chegou a formar um “comitê de notáveis”, com nomes como Henrique Meirelles e Gustavo Loyola, para fortalecer a imagem institucional.
Esse ambiente ajudou a impulsionar a tentativa de venda do Master ao BRB. O acordo avançou mesmo em meio a alertas sobre problemas no banco. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), chegou a defender publicamente a operação. Paralelamente, uma proposta de lei no Congresso — depois derrubada — buscou alterar a estrutura do BC, o que ampliou pressões sobre o órgão no período em que avaliava o negócio.
Origem do grupo e captações arriscadas
A história do Master começou com a entrada de Vorcaro no antigo Banco Máxima em 2016. A instituição havia sido alvo da operação “Fundo Fake”, que apurou desvios em previdências municipais entre 2010 e 2017. Embora esse período anteceda sua chegada, investigações apontaram vínculos entre recursos do Máxima e empresas ligadas ao empresário, algo que ele negou com base em decisão judicial favorável.
O Master cresceu rápido a partir de 2021. O principal impulso veio das emissões de CDBs com remuneração de até 140% do CDI, estratégia direcionada ao pequeno investidor. O apelo se apoiava no Fundo Garantidor de Créditos, que assegurava cobertura de até R$ 250 mil por CPF em caso de quebra. Quando a regulação limitou esse ritmo de captação, o banco passou a buscar recursos em fundos de pensão estaduais e municipais.
Essa guinada criou novos riscos. A RioPrevidência detém quase R$ 1 bilhão em papéis do Master sem proteção do FGC. Outros onze fundos de pensão, além de instituições como o Banco da Amazônia, também podem acumular perdas. A estimativa é de risco potencial de R$ 3 bilhões.











