À medida que o senador Omar Aziz se movimenta para consolidar seu nome na corrida ao Governo do Amazonas, os bastidores fervem com possíveis indicações para a vice-governadoria. Quatro nomes aparecem como potenciais escolhidos: Saullo Vianna, Beto Dangelo, Bosco Saraiva e Anderson Sousa, presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM). Embora todos tenham peso político próprio, cada um carrega também fragilidades, rejeições e desafios que tornam o debate mais complexo.
Ao mesmo tempo, o cenário se conturba ainda mais com a tentativa do prefeito de Manaus, David Almeida, de inserir sua filha como vice na chapa de Omar — um movimento que tem sido visto como desesperado, mal-recebido e profundamente rejeitado pela opinião pública, especialmente no momento em que ele enfrenta forte desgaste político e perda de credibilidade, sobretudo no embate com os professores da rede municipal.
Saullo Vianna – articulação, juventude política e protagonismo crescente
O deputado federal Saullo Vianna desponta como um dos nomes mais comentados e, apesar de suas críticas e contradições, é visto como alguém que consegue dialogar tanto com bases municipais quanto com setores influentes em Brasília. Sua movimentação recente, marcada por gestos calculados e presença constante em pautas regionais, aumentou sua visibilidade.
Saullo carrega o perfil de vice que soma politicamente: articulado, dinâmico e disposto a ocupar espaços estratégicos. Entretanto, críticos afirmam que sua trajetória é relativamente curta para o peso do cargo, e sua ascensão rápida incomoda grupos tradicionais. Ainda assim, entre os quatro nomes, Vianna é hoje o que mais cresce e o que mais agrega musculatura política, especialmente por sua capilaridade no interior.
Anderson Sousa – força no interior, liderança municipalista e presença regional
Presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa construiu uma liderança sólida no interior do estado. Sua gestão à frente da entidade ampliou o diálogo entre prefeituras e órgãos federais, além de promover pautas importantes relacionadas à gestão fiscal e desenvolvimento regional.
Anderson tem como trunfo sua capacidade de mobilização e seu trânsito entre prefeitos — algo que falta a muitos nomes da capital. É visto como um vice capaz de entregar território, especialmente nas cidades médias e pequenas. Contudo, há quem questione sua exposição estadual, que ainda é considerada menor que a dos demais nomes.
Mesmo assim, Anderson aparece como uma opção estratégica, caso Omar Aziz queira reforçar sua presença no interior e fortalecer alianças municipais de peso.
Beto Dangelo – resistência, visibilidade regional e limitações
O ex-prefeito de Manacapuru Beto Dangelo já teve seu auge de influência, principalmente durante sua administração no município. Porém, sua força política, embora ainda existente, não possui o mesmo brilho de antes. Ele enfrenta rejeições pontuais e desgaste acumulado em setores que esperavam maior amplitude administrativa e articulação regional.
Dangelo não é um nome que divide opiniões — ele simplesmente não empolga setores decisivos do eleitorado. Para Omar, teria dificuldade em agregar capital político significativo, embora ainda represente uma base importante no Médio Solimões. Seu maior desafio é justamente provar que ainda possui relevância estadual suficiente para compor uma chapa majoritária.
Bosco Saraiva – experiência, mas pouca força popular atual
O ex-deputado e ex-secretário Bosco Saraiva é um dos políticos mais experientes da lista, com carreira longa, trânsito consolidado e reconhecimento institucional. Entretanto, a experiência não se converte automaticamente em força eleitoral.
Bosco perdeu vigor junto ao grande público nos últimos anos e não demonstra capacidade real de mobilização popular.
Apesar de sua credibilidade administrativa, Saraiva carece de protagonismo contemporâneo, o que reduz sua competitividade numa disputa acirrada como a de 2026. É visto mais como um nome técnico do que político — o que, em um pleito majoritário, pode ser insuficiente.
David Almeida: tentativa frustrada de influência e rejeição crescente
Enquanto esses nomes disputam espaço, um movimento paralelo gera comentários ácidos nos bastidores: o prefeito David Almeida tenta emplacar sua filha como vice na chapa de Omar Aziz. O gesto foi encarado como nepotista, precipitado e totalmente desalinhado com a realidade política atual.
David vive o pior momento de sua gestão.
Sua rejeição está em alta, especialmente após os confrontos desgastantes com os professores da rede municipal, que o acusam de descaso, desrespeito e falta de diálogo. O prefeito perdeu credibilidade entre servidores, educadores e boa parte da população da capital.
Hoje, David Almeida não agrega a Omar Aziz — pelo contrário, afasta. O senador tem plena ciência disso e mantém distância estratégica. Tentar colocar sua filha como vice, em meio ao caos político que enfrenta, apenas reforça a percepção de que a gestão municipal está desconectada do sentimento popular.
Conclusão: Omar Aziz diante de escolhas complexas
Cada nome oferecido a Omar Aziz representa um caminho distinto:
Saullo Vianna — expansão política e articulação crescente.
Anderson Sousa — força municipalista e mobilização no interior.
Beto Dangelo — influência localizada, mas sem grande apelo estadual.
Bosco Saraiva — experiência, porém baixa força eleitoral atual.
David Almeida — apenas rejeição, desgaste e falta de credibilidade, especialmente após tentar inserir interesses familiares na disputa.
O tabuleiro está montado.
Omar terá que escolher se prioriza força eleitoral, presença no interior ou articulação institucional. Mas uma coisa é certa: nenhuma estratégia que inclua David Almeida — ou sua família — será bem recebida pelo eleitor amazonense no cenário atual.











