A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou um pedido para a retirada do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria do caso que envolve o Banco Master. A solicitação veio à tona depois da revelação de que o magistrado viajou em um voo particular com um dos advogados ligados ao banco para assistir à final da Libertadores, em Lima, no Peru. A decisão foi tomada pelo procurador-geral Paulo Gonet, que entendeu não haver providências a adotar neste momento.
A representação sustentava a suspeição do ministro com base na viagem realizada ao lado do empresário Luiz Oswaldo Pastore e do advogado Augusto de Arruda Botelho. No despacho, Gonet não analisou o mérito da alegação e limitou-se a registrar que o caso já está sob apuração no âmbito do STF, com atuação regular da PGR.
Em 26 anos, o Supremo não afastou nenhum relator de processo. Mesmo assim, a pressão política aumentou nas últimas semanas. Parlamentares passaram a cobrar que Toffoli se declarasse impedido ou que o STF analisasse sua suspeição. A PGR informou que há outras quatro representações em tramitação.
O escândalo que envolve o ministro Dias Toffoli
O caso ganhou novos contornos depois da revelação de negócios envolvendo familiares do ministro. Reportagens mostraram que irmãos de Toffoli cederam participação em um resort no Paraná a fundos ligados à Reag Investimentos, investigada por abrigar estruturas associadas ao Master. Em seguida, veio à tona que o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, controla os fundos que adquiriram a fatia, avaliada à época em R$ 6,6 milhões.
Outro ponto sensível envolve decisões tomadas por Toffoli no curso das investigações. O ministro determinou inicialmente que itens apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero fossem enviados ao STF “lacrados e acautelados”. Depois de pedidos da Polícia Federal (PF) e da PGR, Toffoli recuou e autorizou a extração e a análise do material, permitindo posteriormente a perícia pela PF.











