A Polícia Federal afirmou que a rede social X permitiu o apoio financeiro de contas bloqueadas por decisão judicial no Brasil. A corporação encaminhou um relatório ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no inquérito que investiga o dono da plataforma, Elon Musk, no último dia 13.
Os investigadores detectaram que nos perfis de Allan dos Santos, Paulo Figueiredo e Rodrigo Constantino, que foram bloqueados por ordem de Moraes, alguns botões e informações que permitem, no Brasil, sem uso de VPN, aos usuários financiarem / apoiarem essas contas por meio da assinatura da plataforma X”.
Segundo o documento, no caso de Santos é fornecido aos usuários “um endereço para o recebimento de valores em bitcoin” e assinatura para ter acesso a lives do jornalista seria de R$ 25,90 ao mês. Outra conta vinculada a ele também aparece para usuários no Brasil, “mesmo sem a utilização de VPN”.
“Ao invés de apenas ser exibida a mensagem indicando que a conta está retida, os perfis exibem alguns botões e informações que permitem, no Brasil, sem uso de VPN, aos usuários financiarem / apoiarem essas contas por meio da assinatura da plataforma X e, no caso de Allan Lopes dos Santos, o fornecimento de um endereço para o recebimento de valores em bitcoin”, diz o documento.
De acordo com o novo relatório, ao clicar no botão “resumo do perfil” em uma das contas de Allan do Santos aparece uma mensagem criada pelo Grok, ferramenta de inteligência artificial do X, descrevendo o jornalista como um crítico de Moraes do presidente Lula (PT).
Decisões de Moraes sobre o X
Em abril de 2024, a PF informou a Moraes que investigados fizeram transmissões ao vivo por meio do recurso chamado “Espaços”, o Spaces, sem o uso de VPN e mesmo estando com as contas bloqueadas.
No mesmo mês, a defesa da rede social X afirmou que usuários com perfis bloqueados utilizaram uma “falha técnica” da plataforma para tentar burlar as restrições impostas pela Corte.
Em outubro de 2024, o ministro determinou que peritos da PF investigassem se os esclarecimentos apresentados pelo X sobre as transmissões ao vivo eram verdadeiros. O pedido partiu do o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
No ano passado, a plataforma de Elon Musk ficou suspensa no Brasil entre 30 de agosto e 8 de outubro. A rede social só foi reativada após pagar R$ 28,6 milhões em multas, indicar representantes legais no Brasil e cumprir as ordens judiciais.
O ministro pediu uma manifestação da PF sobre o inquérito contra Musk em dezembro de 2024. “Reitero a decisão proferida em 6/9/2024 e determino que a Polícia Federal, pelo setor pericial competente, examine os esclarecimentos prestados pela plataforma ‘X’ e avalie sua verossimilhança”, escreveu o ministro na ocasião.