Investigações sobre descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS motivaram uma nova etapa da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira, 13.
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) atuaram em 14 estados e no Distrito Federal, cumprindo ordens do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No total, a PF executou 63 mandados de busca e apreensão, dez de prisão preventiva e outras medidas cautelares.
Os alvos fazem parte de um esquema que movimentou valores bilionários por meio de descontos associativos não autorizados. As ações ocorreram simultaneamente em diferentes regiões do país.
A nova fase da Operação investiga os crimes de:
- Inserção de dados falsos em sistemas oficiais;
- Constituição de organização criminosa;
- Estelionato previdênciário;
- Corrupção ativa e passiva;
- Ocultação e dilapidação patrimonial.
Apreensões
No Maranhão, a polícia encontrou um cofre com notas de R$ 50 e R$ 100, ainda sem valor contabilizado. Em Minas Gerais, as apreensões incluíram dinheiro em espécie, dólares, munições e carregadores. Em Goiás, os policiais localizaram um fuzil e uma pistola.
Já em São Paulo e Brasília, os agentes apreenderam veículos de alto valor: um Cadillac Escalade, avaliado em cerca de US$ 96 mil (aproximadamente R$ 500 mil), e um Mustang, vendido no Brasil por pelo menos R$ 649 mil.
Envolvimento de ex-dirigentes do INSS e medidas judiciais
Entre os detidos nesta quinta-feira, 13, estão Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS no governo Lula, e Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador do INSS.
José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Jair Bolsonaro, deverá usar tornozeleira eletrônica, conforme decisão judicial.
PF diz que Stefanutto recebia propina mensal de R$ 250 mil
A Polícia Federal identificou pagamentos mensais de R$ 250 mil ao ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, ligados ao esquema de descontos ilegais.
Segundo as investigações, os repasses ocorreram em outubro de 2022 e entre junho de 2023 e setembro de 2024.
De acordo com a investigação, Stefanutto “utilizou sua influência na alta administração pública para garantir a continuidade da fraude em massa, que gerou R$ 708 milhões em receita ilícita, confirmando sua posição como uma das principais engrenagens da organização criminosa”.











