“Passou sete anos aplaudindo Wilson Lima”, dispara Hissa ao questionar rompimento de Roberto Cidade

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Candidato a deputado federal afirma que Roberto tenta se afastar politicamente do ex-governador às vésperas da eleição e cobra explicações sobre sua atuação à frente da Assembleia Legislativa.

Por: Redação MVE

MANAUS (AM) — O candidato a deputado federal Hissa Abraão (Republicanos) elevou o tom contra o governador e candidato à reeleição Roberto Cidade (União Brasil) ao questionar a tentativa de Cidade de construir uma identidade política independente do ex-governador Wilson Lima.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Hissa sustentou que não seria possível apagar a relação construída entre os dois durante o período em que Roberto Cidade esteve no comando da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

“Como se sete anos de aliança política e Roberto sendo continuidade do governo de Wilson pudessem virar poeira 30 dias antes da eleição”, afirmou Hissa.

Hissa mira passagem de Cidade pela Aleam

O principal argumento utilizado pelo candidato é justamente o papel institucional que Roberto Cidade exercia.

Hissa lembrou que, como presidente da Assembleia, Cidade comandava um Poder que possui entre suas atribuições fiscalizar os atos do Executivo estadual.

“O seu nome, Roberto, esteve colado ao do Wilson Lima o tempo inteiro que importou, nos sete anos em que você presidiu a Assembleia Legislativa do Amazonas”, declarou.

Na sequência, Hissa relacionou sua crítica a episódios ocorridos durante o governo Wilson Lima, entre eles a crise de oxigênio registrada no Amazonas durante a pandemia e o caso envolvendo a compra de respiradores.

O candidato argumenta que Cidade deveria ter exercido uma postura fiscalizadora mais dura naquele período.

A crítica, entretanto, representa a avaliação política de Hissa. A proximidade entre Executivo e Legislativo, por si só, não demonstra participação de Cidade nas irregularidades investigadas durante a administração anterior.

“Passando a mão na cabeça”

Hissa foi ainda mais duro ao resumir como enxerga a relação política entre os dois.

“Passou sete anos passando a mão na cabeça e aplaudindo o Wilson Lima. Um se retroalimentando do outro”, afirmou.

Para Hissa, Roberto Cidade tenta agora estabelecer uma separação entre sua administração e a de Wilson Lima justamente quando precisa apresentar ao eleitorado uma identidade própria como candidato ao Governo.

A estratégia do adversário, segundo ele, seria contraditória diante do histórico de convivência política entre os dois.

Compras também entram no ataque

Hissa também direcionou críticas a processos de compras ocorridos durante a atual administração estadual.

Ele mencionou procedimentos que envolveriam aproximadamente R$ 160 milhões em colchões e outros R$ 23 milhões em redes de dormir, fazendo uma comparação política com a polêmica aquisição de respiradores durante a pandemia.

“Loja de bebida vendendo rede de dormir pro governo é irmã gêmea de loja de vinho vendendo respirador. Mesmo roteiro, personagem diferente”, declarou.

As afirmações sobre esses processos devem ser tratadas como acusações políticas feitas por Hissa, e não como conclusão de que Roberto Cidade tenha cometido crime ou desviado recursos. Eventuais responsabilidades dependem de apuração dos órgãos competentes.

Embate entre Hissa e grupo de Cidade não começou agora

Os ataques fazem parte de um confronto político que já vinha ocorrendo antes do início oficial da campanha.

Em agosto, o TRE-AM determinou que Hissa interrompesse o impulsionamento pago de outro vídeo direcionado contra Roberto Cidade e Wilson Lima. A decisão não proibiu genericamente Hissa de criticá-los: o ponto considerado irregular em análise preliminar foi o uso de dinheiro para impulsionar propaganda negativa na internet, prática vedada pela legislação eleitoral.

Agora, já candidato a deputado federal, Hissa volta a mirar diretamente a relação entre os dois antigos aliados.

No encerramento do novo vídeo, ele resumiu sua crítica afirmando que Roberto estaria hoje “sentado na cadeira que deveria ter fiscalizado”.

A declaração mostra qual deverá ser uma das linhas de ataque contra Cidade nesta reta da eleição: obrigá-lo a responder não apenas pelo período em que ocupa o Governo do Amazonas, mas também pelo relacionamento que manteve com Wilson Lima enquanto comandava a Assembleia Legislativa.