BRASÍLIA – O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse nesta terça-feira que o Brasil vai ter que passar por um racionamento de energia para evitar um apagão decorrente da crise hídrica.
Segundo Lira, o assunto foi debatido em uma reunião na semana passada com o ministro de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque. O parlamentar afirmou que a medida deve ser “educativa”.
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— O ministro Bento esteve comigo fazendo uma análise do cenário e garantiu que não vamos ter nenhum tipo de problema de apagão, mas vamos ter que ter um período educativo de algum racionamento, para não ter nenhum tipo de crise maior — afirmou o deputado, após o lançamento do Plano Safra no Palácio do Planalto.CONTA DE LUZ NÃO PARA DE SUBIR? SAIBA COMO ECONOMIZAR1 de 7
O país passa por uma crise histórica por causa da falta de chuvas, que levou o nível de reservatórios estratégicos para a geração em usinas hidrelétricas a níveis críticos.
Estamos com problema de chuvas, isso é claro, e o Brasil precisa urgentemente, como foi feito na MP da Eletrobras, arrumar alternativas mais baratas do que as termelétricas a combustível, não tão baratas quanto eólica e solar. Todos vocês sabem que energia eólica e solar são alternativas, elas não são energias de base, porque à noite não temos energia solar e quando falta vento não temos energia eólica. Precisamos de energia de base como alternativa para suportar o crescimento que o Brasil — disse Lira.
O Brasil tem batido recordes de geração de energia por termelétricas desde maio, com o agravamento da crise. Os dez dias com maior geração de energia por termelétricas na História do Brasil foram registrados em junho deste ano, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
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Nesta segunda-feira, o Congresso concluiu a votação da medida provisória (MP) que autoriza a privatização da Eletrobras. Segundo o presidente da Câmara, o texto deve ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro sem vetos.
O PL (projeto de lei de conversão, nome técnico para a MP em tramitação no Congresso) tramitou com o apoio total do governo.O texto da Câmara foi consensuado com o governo. No texto do Senado, o que o governo não concordou o relator retirou e a Câmara manteve. Então, a expectativa é passar absolutamente sem nenhum veto — disse Lira.
O governo se prepara para vender a maior estatal de energia do país em janeiro de 2022. Para tanto precisará seguir um passo a passo para a operação, que será realizada por meio de uma capitalização na Bolsa de Valores.
Fonte: O Globo