No dia 7 de outubro de 2025, uma equipe de paleontólogos protagonizou um momento histórico na estepe da Patagônia argentina. Durante escavações no sítio de Rio Negro, pesquisadores encontraram o que se tornaria uma das descobertas mais notáveis da paleontologia moderna — e tudo foi transmitido ao vivo para milhares de pessoas no YouTube.
Um dos integrantes da equipe relatou o instante da descoberta: “Encontramos um pequeno ninho. Estávamos caminhando com nosso companheiro e pensamos: ‘Será que isso [o ovo] é de uma ema?’ E quando começamos a desenterrá-lo, descobrimos que estava cheio de terra. Isso é absolutamente insano”.
O momento foi exibido no vídeo da Expedición Cretácica I, que rapidamente viralizou nas redes sociais. O líder do grupo, Federico Agnolín, identificou o achado como um ovo de dinossauro, possivelmente de um terópode carnívoro, já que a região é famosa por abrigar fósseis desse tipo.
O achado surpreendeu os especialistas pela raridade e pelo excelente estado de conservação. Ovos de dinossauros carnívoros são extremamente difíceis de encontrar, pois suas cascas finas sofrem rápida erosão.
Segundo os pesquisadores do Conicet (Instituto Nacional de Ciências Naturais da Argentina), o ovo está “quase perfeito” ou “intacto”, o que permitirá estudos detalhados — especialmente se contiver um embrião fossilizado.

A Patagônia argentina é reconhecida como um dos territórios mais ricos em fósseis do planeta. Ali foram encontrados gigantes como o Argentinosaurus, o maior herbívoro já identificado, e o Giganotosaurus, predador de proporções colossais.
O mesmo sítio de Rio Negro, onde o ovo foi desenterrado, já havia revelado em 2024 a garra do Bonapartenykus ultimus, espécie carnívora exclusiva da região, além de restos de mamíferos primitivos, répteis e ninhadas fósseis.
A expedição, embora tenha se tornado famosa pelo “ovo bem preservado”, também trouxe outros achados importantes: dentes de mamíferos ancestrais, vértebras de serpentes, mandíbula de hadrossauro — o famoso “dinossauro de bico de pato” — e fragmentos de plantas fossilizadas, incluindo folhas e cones.
Transmitido via streaming, o momento em que o ovo foi exibido ao público uniu a emoção da descoberta com a divulgação científica, uma das metas centrais do projeto.
Sobre a possibilidade de haver um embrião dentro do fóssil, o pesquisador Muñoz foi cauteloso: “Um embrião é um organismo muito delicado e sua preservação é complexa. Embora o ovo tenha se preservado completo, não sabemos se havia um embrião que morreu, ou se era um ovo não fertilizado”, explicou.
Os próximos passos incluem a realização de microtomografias e exames computadorizados de alta resolução para analisar o interior do ovo sem danificá-lo. Caso um embrião seja identificado, o achado poderá revelar informações inéditas sobre a biologia reprodutiva dos dinossauros terópodes.
Segundo Muñoz, o objetivo é compreender o desenvolvimento embrionário, o momento de eclosão e a ligação evolutiva entre dinossauros e aves, tema que ainda guarda importantes lacunas científicas. Ele concluiu, em entrevista à National Geographic:
“Pode acontecer que vejamos uma linhagem que ainda não conhecemos, ou que entendamos que tipo de ovo alguns dos dinossauros comuns dessa época punham, perto do final da era dos dinossauros na Patagônia argentina”.











