COLUNA DO SAMPAIO: Por [Edson Sampaio]
A relação entre Brasil e Estados Unidos em 2025 não pode mais ser chamada de parceria estratégica. O que se vê, na prática, é um cenário de dependência assimétrica, onde o Brasil se submete a sucessivas ofensivas econômicas, tarifárias e diplomáticas, enquanto se afunda em uma crise institucional interna que compromete sua capacidade de reação.
Recentemente, o governo norte-americano decidiu elevar tarifas sobre aço, alumínio, celulose e carne bovina brasileira, alegando “práticas desleais” e “falta de transparência regulatória”. Na realidade, segundo analistas como Mark Goldman, do Atlantic Council, “o endurecimento contra o Brasil faz parte de uma estratégia maior de contenção geopolítica, onde Washington age para limitar o espaço de países considerados instáveis, antes que se alinhem a outras potências como China ou Rússia”.
E instável, o Brasil está. A crise política interna se acirrou em 2025 com um Judiciário que passou a legislar por decisões monocráticas, censurar vozes opositoras e interferir abertamente em políticas públicas e nomeações do Executivo. O STF hoje não apenas interpreta leis, mas dita os rumos da política nacional, num protagonismo que gera desconforto entre investidores e diplomatas internacionais. A separação entre os Poderes, princípio basilar de qualquer democracia funcional, foi substituída por um desequilíbrio institucional que lembra mais um regime de tutela do que uma república.
Esses fatores se refletem diretamente na economia. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) sofreu uma sangria de capital estrangeiro. Até junho de 2025, foram retirados mais de R$ 38 bilhões de investimentos diretos em ações, especialmente nos setores de commodities, infraestrutura, energia e bancos. O setor do agronegócio, tradicionalmente o motor das exportações brasileiras, agora enfrenta barreiras alfandegárias nos Estados Unidos, seu maior parceiro fora da Ásia. Já empresas de tecnologia e inovação vêm relatando dificuldades para captar capital, num ambiente jurídico considerado “imprevisível e hostil”, segundo nota do Goldman Sachs divulgada em maio.
Além da fuga de capitais, há o isolamento político. Em fóruns internacionais, o Brasil tem ocupado um papel cada vez mais decorativo. Nas últimas reuniões do G20 e da OCDE, foi um dos poucos países a não se posicionar de forma clara em temas-chave, como transição energética e reforma do sistema financeiro internacional. Um diplomata europeu ouvido pela Le Monde Diplomatique afirmou que “o Brasil hoje fala pouco e obedece muito. É um gigante calado.”
A realidade é que o Brasil está sendo sufocado sem que um único tiro tenha sido disparado. A dominação hoje é sutil: feita por tarifas, retaliações diplomáticas, fluxos financeiros e manipulação narrativa. E com um Judiciário que centraliza o poder, um Executivo enfraquecido e um Legislativo submisso, o país se torna um território fértil para interesses externos.
Estamos, portanto, diante de uma encruzilhada. Ou o Brasil recupera sua soberania, reequilibra seus Poderes e redefine sua posição geopolítica com autonomia, ou continuará sendo tratado como colônia em pleno século XXI. A guerra que enfrentamos não é de tanques ou drones — é uma guerra de influência, e estamos perdendo.












