COLUNA DO SAMPAIO / Por [Edson Sampaio]
Em uma iniciativa que pode marcar um divisor de águas na gestão da saúde pública do Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD-AM) reuniu, nesta sexta-feira (11), em Manaus, secretários municipais de saúde de todo o estado, além de prefeitos, lideranças regionais e o presidente da AAM, Anderson Sousa, em um esforço conjunto para discutir soluções estruturantes para o sistema de saúde.
O encontro, descrito pelo próprio senador como “o primeiro passo de um ciclo de escuta e construção coletiva”, teve como foco a criação de políticas públicas duradouras, capazes de resistir à troca de governos e enfrentar os problemas crônicos da rede de saúde no estado — especialmente no interior.
Com a presença da presidente do Cosems-AM, Adriana Moreira, e a participação remota do senador Eduardo Braga, o evento demonstrou unidade política e técnica na abordagem dos gargalos do sistema: desde a carência de hospitais e profissionais qualificados nas zonas remotas até os desafios logísticos de atendimento nas regiões mais isoladas.
A saúde além do gabinete
Ao destacar que “essa não é uma reunião de gabinete, é um compromisso com a construção de um futuro mais justo”, Omar Aziz deu o tom do que se espera de uma política de Estado: continuidade, escuta ativa e respeito às realidades regionais. O senador acerta ao reconhecer que o Amazonas, por sua complexidade geográfica e desigualdade de acesso, precisa de soluções sob medida — e não de modelos prontos e centralizadores.
A fala de Adriana Moreira reforça essa linha: “Os secretários conhecem a realidade de cada município e querem contribuir com soluções concretas”. A participação ativa do Cosems-AM nessa construção de propostas é fundamental para evitar que decisões em Brasília ou Manaus ignorem o que se passa nos distritos, comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas.
Municípios no centro da ação
O protagonismo dos municípios também foi bem pontuado por Anderson Sousa, presidente da AAM: “É no município que a vida acontece, é lá que o cidadão busca atendimento”. E é por isso que o planejamento precisa começar na base. A lógica deve ser invertida: as políticas públicas não devem descer das capitais às cidades, mas subir das realidades locais até os gabinetes decisórios.
O senador sinalizou ainda que esse modelo de escuta será replicado em outras áreas fundamentais como educação, assistência social e produção rural. Uma visão integrada que, se levada a sério, pode transformar o Amazonas em um exemplo de governança colaborativa.
A política do possível e o desafio da continuidade
Mais do que propostas, o que se viu neste encontro foi a tentativa de inaugurar um novo ciclo de responsabilidade compartilhada entre os entes federativos. Mas o desafio maior está na continuidade. Planejar com visão de Estado é ir além dos ciclos eleitorais. E esse é um teste que a política amazonense, historicamente marcada por rupturas, ainda precisa passar.
O momento exige menos protagonismo individual e mais pactos institucionais. Omar Aziz parece compreender isso. E se conseguir manter esse diálogo vivo e produtivo com os gestores locais, poderá deixar um legado que vai além do mandato: um Amazonas com um sistema de saúde mais justo, eficaz e adaptado à sua própria realidade.












