Redação MVE
Manaus (AM) — A reta final das eleições de 2026 trouxe novamente ao centro do debate um personagem conhecido das investigações realizadas durante a pandemia. Marcellus Campêlo, ex-secretário estadual e hoje candidato a deputado estadual, declarou apoio ao governador Roberto Cidade e defendeu a continuidade do grupo político construído durante a administração de Wilson Lima.
A manifestação chama atenção pelo histórico de Campêlo no próprio governo Wilson. Em junho de 2021, quando ocupava a Secretaria de Estado de Saúde, ele foi preso temporariamente pela Polícia Federal no âmbito da quarta fase da Operação Sangria, investigação que apurava suspeitas de fraude e superfaturamento envolvendo a estrutura de saúde utilizada durante a pandemia de Covid-19 no Amazonas.
Naquela fase, a Polícia Federal afirmou ter encontrado indícios de contratação fraudulenta envolvendo hospital de campanha, além de suspeitas de direcionamento de procedimentos, sobrepreço e serviços que teriam sido contratados e não executados. A operação também cumpriu buscas na residência e no gabinete de Wilson Lima. O governo estadual, à época, negou irregularidades.
É importante fazer a distinção jurídica: prisão temporária e investigação não equivalem a condenação, e as fontes consultadas para esta matéria não permitem afirmar que Campêlo tenha sido condenado definitivamente pelos fatos investigados na Operação Sangria.
Cidade e Wilson apoiam Campêlo em 2026
O que transforma o episódio em questão política atual é que Campêlo não está distante do grupo governista. Pelo contrário.
Em agosto deste ano, Roberto Cidade e Wilson Lima participaram do lançamento da candidatura de Marcellus Campêlo a deputado estadual, em Manaus. Na ocasião, Cidade fez elogios públicos ao ex-secretário e pediu votos para sua candidatura. Campêlo, por sua vez, defendeu os nomes de Cidade e Wilson e pediu apoio eleitoral ao grupo.
A aproximação desmonta qualquer tentativa de apresentar as três trajetórias como histórias políticas independentes: existem apoio público e participação conjunta em atos de campanha. Isso é um fato documentado.
“Continuidade” é assumida pelo próprio grupo
A palavra continuidade não aparece apenas nas críticas dos adversários.
Na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição, Roberto Cidade apresentou sua administração como sequência do projeto iniciado por Wilson Lima e defendeu publicamente o ex-governador. Cidade chegou a dizer que passou a compreender as dificuldades enfrentadas por Wilson depois que assumiu o Executivo e pediu apoio para levá-lo ao Senado.
Wilson também já defendeu publicamente a continuidade de sua gestão através de Roberto Cidade.
É justamente nesse contexto que a manifestação de Marcellus Campêlo ganha peso: um ex-integrante do primeiro escalão do governo Wilson, alcançado pela Operação Sangria, hoje faz campanha ao lado de Cidade e Wilson e defende a permanência do mesmo campo político no comando estadual.
Operação Sangria permanece no histórico do grupo
A Operação Sangria marcou um dos períodos mais delicados da administração estadual durante a pandemia. Em sua quarta fase, além da prisão temporária de Campêlo, a investigação resultou em 19 mandados de busca e apreensão, seis de prisão temporária e determinação de sequestro de bens e valores que ultrapassava R$ 22,8 milhões.
Isso não permite atribuir automaticamente a Roberto Cidade responsabilidade pelos fatos investigados anos antes de ele assumir o governo. Permite, entretanto, discutir politicamente a continuidade que o próprio grupo reivindica e as alianças que mantém atualmente.
Campêlo participou do governo Wilson, Cidade e Wilson apoiam sua candidatura em 2026, Campêlo apoia os dois e Roberto Cidade declarou publicamente representar a continuidade administrativa do antecessor.
Na reta final da campanha, esses fatos colocam novamente sob escrutínio público não apenas as promessas apresentadas para o futuro, mas também o histórico e as alianças do grupo que governou o Amazonas nos últimos anos.
Descubra mais sobre MenezesVirtualEye
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.











