Operação Dinastia do Lago: Por ordem de Alexandre de Moraes, Adail Pinheiro passa a usar tornozeleira eletrônica e cumpre cautelares

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Por MVE

O prefeito afastado do município de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), passou a cumprir severas medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as determinações judiciais, o político teve o monitoramento por tornozeleira eletrônica instalado, teve o passaporte recolhido e ficou proibido de deixar o país e o perímetro do município.

As decisões ocorrem no desdobramento da Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações, desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos firmados pela Prefeitura de Coari.

Restrições severas e risco de prisão

A ordem assinada pelo ministro Alexandre de Moraes impõe restrições rígidas à rotina do gestor afastado. Adail Pinheiro está expressamente proibido de manter contato, direto ou indireto, com ex-secretários municipais, servidores públicos, terceirizados, testemunhas e demais investigados na operação. O descumprimento injustificado de qualquer uma das condicionantes pode acarretar a decretação imediata de sua prisão preventiva.

Além de Adail, ex-secretários municipais envolvidos nas apurações e empresários também passaram a ser monitorados eletronicamente e tiveram seus documentos de viagem retidos pela Justiça.

Origem da investigação e afastamento do cargo

A apuração da Polícia Federal teve início a partir do desdobramento de um episódio registrado no Aeroporto de Brasília, quando empresários foram flagrados transportando cerca de R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo sem comprovação de origem em um voo vindo de Manaus. A partir desse evento, os investigadores mapearam movimentações financeiras atípicas e apuraram indícios de favorecimento em contratos públicos do município de Coari.

O principal alvo da operação da PF é o deputado federal Adail Filho (MDB), filho do prefeito afastado. No dia 16 de setembro, Moraes determinou o afastamento de Adail Pinheiro do comando da Prefeitura de Coari pelo prazo inicial de 90 dias, além do afastamento de secretários municipais.

Troca no comando do Executivo Municipal

Com o afastamento de Adail Pinheiro e diante da ausência do vice-prefeito — que se afastou do cargo público para disputar vaga nas eleições deste ano —, a presidência da Câmara Municipal de Coari, exercida pela vereadora Jeany Pinheiro (irmã de Adail), assumiu interinamente o comando do Poder Executivo municipal.

Posicionamento das defesas

À época da deflagração dos mandados, as defesas de Adail Pinheiro e do deputado Adail Filho manifestaram surpresa com as medidas cautelares. Os advogados argumentaram que o afastamento do cargo era uma medida desnecessária e ressaltaram que os investigados não possuem condenação ou status de réus no processo, negando qualquer participação em irregularidades ou ilícitos apontados pela Polícia Federal. O processo segue em segredo de Justiça.