Nikolas Ferreira questiona governo Lula por classificação de desenhos bíblicos e aponta diferença em relação ao Carnaval

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Deputado contesta decisão do Ministério da Justiça que elevou para 12 anos a classificação de animações religiosas da Record e apresenta projeto para suspender a medida.

Por Redação MVE

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) questionou a decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, órgão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de elevar de livre para 12 anos a classificação indicativa do programa Record Kids – Desenhos Bíblicos.

A alteração foi formalizada em portaria de 28 de outubro de 2026, com recomendação de exibição a partir das 20h na televisão aberta. O ministério apontou a presença de atos criminosos, drogas, violência e situações de estigma ou preconceito como fundamentos para a classificação. Gazeta do Povo+1

Nikolas compara desenhos bíblicos com desfiles de Carnaval

Um dos principais argumentos apresentados pelo parlamentar é a diferença entre as classificações atribuídas aos desenhos religiosos e aos desfiles das escolas de samba.

Segundo Nikolas, o Ministério da Justiça classificou o programa Desfile das Escolas de Samba 2026 para maiores de 10 anos, embora tenha identificado elementos como conteúdo sexual, drogas lícitas e linguagem imprópria.

O deputado questiona se os mesmos critérios técnicos estão sendo aplicados de maneira uniforme às diferentes produções audiovisuais. Atlas Público

Deputado apresenta projeto para suspender decisão

Nesta terça-feira (3), Nikolas apresentou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 1016/2026, com o objetivo de sustar os efeitos da portaria que alterou a classificação dos desenhos bíblicos.

Na justificativa, o parlamentar argumenta que a medida pode representar tratamento desproporcional ao conteúdo religioso e levanta questionamentos sobre liberdade de expressão e liberdade religiosa.

A proposta foi protocolada na Câmara dos Deputados, mas ainda não havia sido votada. Atlas Público

Ministério da Justiça apresenta justificativa técnica

A classificação indicativa é prevista na legislação brasileira e tem como finalidade orientar pais e responsáveis sobre conteúdos audiovisuais.

O próprio Ministério da Justiça esclarece que a classificação não constitui proibição de exibição. A orientação etária, portanto, não significa que crianças estejam legalmente impedidas de assistir aos desenhos. Serviços e Informações do Brasil

A controvérsia envolve a fundamentação da mudança, a proporcionalidade da faixa etária estabelecida e a aplicação dos mesmos critérios a diferentes gêneros de programação.

Discussão chega ao Congresso e à Justiça

Além da iniciativa de Nikolas Ferreira, o advogado Wilian Frata apresentou uma ação popular na Justiça Federal solicitando a suspensão da medida. Ele classificou a alteração como desproporcional e acusou o governo de restringir conteúdos religiosos, alegação que ainda depende de análise judicial. Metropoles

O caso amplia o debate sobre os limites da atuação administrativa na classificação indicativa e sobre a necessidade de decisões fundamentadas em critérios objetivos.

A discussão agora envolve o Congresso Nacional e o Judiciário, que poderão examinar os questionamentos apresentados contra a portaria.

Fontes: Metrópoles, Câmara dos Deputados e Ministério da Justiça e Segurança Pública.