Por: Redação MVE
BRASÍLIA (DF) — O ex-jogador Marcelinho Carioca reagiu duramente às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os profissionais responsáveis pela coleta de lixo. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Marcelinho afirmou estar indignado, revelou que seu pai trabalhou como gari durante duas décadas e exigiu uma retratação pública do presidente.
A manifestação ocorreu depois de Lula afirmar, durante o evento Mulheres com Lula, realizado no sábado (29), em Belo Horizonte, que trabalhar na coleta de lixo seria uma “profissão muito pobre” e que não seria uma ocupação que normalmente despertaria orgulho, comparando-a a profissões como médico e engenheiro.
“Meu pai colocou pão, leite, arroz e feijão na mesa”
Para Marcelinho, a declaração atingiu diretamente sua história familiar.
O ex-jogador contou que seu pai trabalhou como gari durante 20 anos e que foi justamente por meio desse trabalho que conseguiu sustentar a família.
“Meu pai colocou pão, leite, arroz e feijão na mesa exercendo a profissão que o senhor desdenhou.”
Marcelinho afirmou ter “muito orgulho” do trabalho realizado pelo pai e classificou a declaração presidencial como revoltante.
A relação do ex-jogador com a categoria não surgiu apenas na atual controvérsia. Em entrevista concedida anteriormente ao ge, Marcelinho já havia falado publicamente sobre sua origem humilde e lembrado, com orgulho, que era filho de um gari.
Marcelinho exige pedido de desculpas
No vídeo, o ex-camisa 7 do Corinthians dirigiu seu recado diretamente a Lula e pediu que o presidente se retrate com os trabalhadores.
Marcelinho argumentou que os profissionais da limpeza urbana desempenham uma atividade essencial e deveriam receber reconhecimento e valorização.
Ele também cobrou do presidente apoio à discussão do Projeto de Lei 4.146/2020, relacionado à regulamentação dos profissionais de limpeza urbana.
Fala de Lula provoca repercussão
No discurso que originou a polêmica, Lula disse que a atividade seria “muito pobre” e associou o trabalho de lixeiro às pessoas que não tiveram oportunidade de estudar.
É necessário considerar, entretanto, o restante da manifestação presidencial.
Na sequência, Lula buscou destacar justamente a importância dos trabalhadores da limpeza urbana e a invisibilidade enfrentada pelas pessoas mais pobres, argumentando que a sociedade só percebe a relevância desses profissionais quando o lixo deixa de ser recolhido.
Mesmo com esse contexto, a maneira utilizada pelo presidente para construir o argumento provocou forte reação.
Nesta segunda-feira (31), inclusive, um gari que afirmou ter votado em Lula em 2022 também apareceu publicamente cobrando uma retratação e dizendo que passou a reconsiderar seu voto após ouvir a declaração.
Marcelinho já foi filiado ao PT
Outro elemento chama atenção na crítica.
Marcelinho Carioca já integrou o próprio Partido dos Trabalhadores. Em 2013, ao ingressar no PT, chegou a elogiar Lula e afirmou estar entrando no que classificou na época como o “maior partido da América Latina”.
Posteriormente, Marcelinho deixou a legenda e passou por outras siglas.
Agora, anos depois, o ex-jogador aparece em posição completamente diferente, cobrando publicamente o presidente e utilizando a própria história familiar para defender os garis.
Ao encerrar sua manifestação, Marcelinho prometeu continuar defendendo a categoria e voltou a exigir uma retratação.
Para ele, independentemente de salário, escolaridade ou prestígio social, o trabalho que sustentou sua família durante duas décadas não representa vergonha, mas motivo de orgulho.











