Por: Redação MVE
TABATINGA (AM) — Uma megaoperação internacional da Polícia Federal brasileira, da Polícia Nacional do Peru e das Forças Armadas peruanas atingiu uma grande estrutura logística utilizada por organizações criminosas transnacionais na região amazônica próxima à fronteira com o Brasil.
A ação, realizada no âmbito da Operação Amazônia 2026, ocorreu na província de Mariscal Ramón Castilla, na região peruana de Loreto, e envolveu operações aéreas, fluviais e terrestres.
O tamanho da estrutura encontrada chamou atenção dos agentes: foram localizados e destruídos quatro laboratórios clandestinos de processamento de drogas e cinco pistas de pouso clandestinas, além de centros de armazenamento de produtos químicos, depósitos de armas e estruturas utilizadas para apoiar a produção e o transporte de entorpecentes.
Mais de 6 toneladas de sulfato de cocaína

Segundo o balanço oficial da Polícia Federal, aproximadamente 6,2 toneladas de sulfato de cocaína foram inutilizadas durante as operações.
As equipes também destruíram mais de 12 toneladas de insumos químicos fiscalizados e aproximadamente 5,5 toneladas de outros produtos químicos empregados na fabricação dos entorpecentes.
Somados, são aproximadamente 17,5 toneladas de insumos químicos retirados da estrutura de produção.
Outro número revela a dimensão da atividade criminosa encontrada na floresta: os agentes localizaram aproximadamente 84 hectares de plantações de coca.
Cerca de quatro toneladas de folhas de coca que já estavam em processo de beneficiamento também foram destruídas.
Cinco pistas clandestinas
A operação não encontrou apenas drogas.
As cinco pistas de pouso clandestinas identificadas eram utilizadas para dar suporte ao transporte aéreo de entorpecentes na região de fronteira, segundo a PF.
Esse tipo de infraestrutura é estratégico para organizações criminosas que operam em áreas isoladas da Amazônia, onde as grandes distâncias e dificuldades de acesso terrestre favorecem a utilização de aeronaves e embarcações.
A descoberta mostra que os grupos investigados possuíam uma estrutura que ia da produção e processamento até o armazenamento e escoamento das drogas.
Armas e coletes balísticos

Os agentes também encontraram armamento.
Entre os materiais apreendidos estão um fuzil do tipo AR-15/M4, pistolas, revólver, espingardas e uma arma artesanal semelhante a uma submetralhadora equipada com silenciador.
Foram recolhidos ainda carregadores, dezenas de munições de diferentes calibres, aparelhos celulares, documentos, equipamentos de comunicação e seis coletes balísticos.
Colombiano é preso
Em uma das ações, um cidadão colombiano foi preso sob suspeita de participação nas atividades relacionadas ao tráfico de drogas.
Com ele, segundo a PF, foram encontradas porções de maconha, pasta básica de cocaína e produtos químicos empregados na fabricação de entorpecentes.
A identidade do suspeito não foi divulgada no balanço oficial.
Fronteira é alvo estratégico do narcotráfico
A localização da operação ajuda a explicar a dimensão da estrutura encontrada.
A província peruana de Mariscal Ramón Castilla está na região de Loreto e integra uma área estratégica próxima à fronteira amazônica brasileira.
Em maio deste ano, outra operação conjunta de Brasil e Peru já havia encontrado toneladas de drogas, armamento e laboratórios clandestinos na região do rio Javari, demonstrando a presença de estruturas utilizadas pelo narcotráfico internacional nesse corredor amazônico.
A extensa rede de rios, áreas de floresta de difícil acesso e proximidade entre Brasil, Peru e Colômbia transformam essa parte da Amazônia em uma das regiões estratégicas para operações de repressão ao tráfico internacional.
Cooperação internacional contra o crime

Para a Polícia Federal, a nova ofensiva reforça a importância da atuação integrada entre as forças de segurança dos países amazônicos.
O objetivo não é apenas apreender carregamentos já prontos para distribuição, mas atingir a infraestrutura que permite às organizações criminosas produzir, armazenar e transportar drogas através das fronteiras.
O resultado da Operação Amazônia 2026 dá uma dimensão dessa estratégia: quatro laboratórios destruídos, cinco pistas clandestinas inutilizadas, 6,2 toneladas de sulfato de cocaína eliminadas, mais de 17 toneladas de insumos químicos retiradas de circulação e dezenas de hectares de coca localizados.
A operação também evidencia o tamanho do desafio enfrentado pelas autoridades na fronteira amazônica, onde organizações criminosas aproveitam a geografia da floresta para montar estruturas longe dos grandes centros urbanos.
