Por: Manuel Menezes
MANAUS (AM) — A disputa interna do MDB pelas cadeiras da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) promete ser uma das mais interessantes das eleições de 2026. Com uma nominata formada por 24 candidatos, o partido trabalha com a possibilidade de conquistar três vagas, colocando parlamentares com mandato, lideranças de Manaus e nomes fortes do interior em uma corrida direta pelo voto.
Nesse cenário, os deputados estaduais Thiago Abrahim (15.789) e Cristiano D’Angelo (15.222) começam com uma vantagem natural: os dois já possuem mandato, exposição pública e bases eleitorais consolidadas.
Thiago possui em Itacoatiara um de seus principais redutos, enquanto Cristiano tem forte ligação política com Manacapuru. A avaliação apresentada pelo Foco no Fato é de que os dois largam na frente na corrida interna do MDB.
A grande batalha, entretanto, pode estar justamente na eventual terceira cadeira.
E é nesse ponto que outros nomes da nominata, entre eles Felipe Lobo (15.123), entram diretamente na disputa.
Felipe Lobo aposta na força do Sul do Amazonas
Natural de Humaitá, Felipe Lobo aparece como uma candidatura com estratégia diferente daquela adotada por nomes que concentram sua atuação principalmente em Manaus.
Seu registro para deputado estadual pelo MDB está deferido pela Justiça Eleitoral, conforme dados do TSE reproduzidos por diferentes plataformas de acompanhamento das eleições.
A aposta de Felipe passa pela construção de uma base eleitoral regional, tendo Humaitá como principal ponto de partida e buscando ampliar sua presença pelos municípios do interior.
Essa característica merece atenção porque a própria análise sobre a nominata do MDB reconhece que candidaturas regionalizadas podem surpreender quando conseguem concentrar votação em seus redutos.
É justamente esse caminho que pode colocar Felipe na briga pela vaga.
Enquanto Thiago Abrahim possui Itacoatiara e Cristiano D’Angelo mantém forte presença em Manacapuru, Felipe tenta transformar Humaitá e o Sul do Amazonas em sua principal base eleitoral.
Uma candidatura construída a partir de Humaitá
Felipe Lobo nasceu em Humaitá e lançou seu projeto político defendendo maior representação do Sul do Amazonas na Aleam.
Ao longo da construção da candidatura, passou a concentrar seu discurso em temas como desenvolvimento regional, infraestrutura, fortalecimento da economia, BR-319 e defesa dos interesses dos municípios do interior.
Nas últimas semanas, também intensificou agendas em Humaitá, participando de reuniões e encontros com moradores e diferentes segmentos locais. Em visita ao atendimento do PrevBarco, por exemplo, voltou a defender políticas públicas adaptadas às dificuldades geográficas enfrentadas pela população interiorana.
A estratégia é clara: tentar transformar a identidade com sua cidade natal e a demanda por representação regional em votos suficientes para colocá-lo entre os primeiros nomes do MDB.
Terceira vaga está longe de ter dono
A disputa, porém, é ampla.
A matéria do Foco no Fato aponta nomes como Matheus Garcia, Kennedy Marques e Luana Ferraz entre aqueles que podem brigar diretamente pela terceira cadeira. Também chama atenção para candidaturas do interior, como Simão Peixoto, Jair Souto e Adenilson Filho do Rio Madeira.
A lista oficial mostra ainda outros candidatos que tornam difícil qualquer previsão antecipada.
O MDB possui nomes com diferentes perfis e bases eleitorais, o que significa que a votação individual poderá produzir surpresas.
Por isso, embora Thiago e Cristiano tenham a vantagem inicial do mandato, não existe garantia de que a ordem projetada antes das urnas será mantida no dia da eleição.
Felipe pode entrar justamente pela força regional
É nesse cenário que Felipe Lobo não pode ser ignorado em uma análise sobre as possíveis três vagas do MDB.
Diferentemente de candidatos que precisarão disputar intensamente o eleitorado da capital, Felipe tenta ocupar um espaço geográfico específico e construir sua candidatura a partir de uma região que busca ampliar sua representação política.
Isso não significa que sua eleição esteja garantida — assim como não existe garantia para nenhum candidato da nominata.
Mas significa que Felipe reúne características que o colocam legitimamente na disputa pela eventual terceira cadeira, especialmente se conseguir concentrar uma votação expressiva em Humaitá e ampliar seu desempenho pelos municípios do Sul do Amazonas.
MDB terá uma batalha dentro da própria chapa
A matemática da eleição proporcional torna a disputa ainda mais imprevisível.
Os votos de todos ajudam o partido na conquista das cadeiras, mas são as votações individuais que determinarão quais candidatos ocuparão as vagas obtidas pelo MDB.
Thiago Abrahim e Cristiano D’Angelo entram com a força de quem já possui mandato.
Matheus Garcia, Kennedy Marques, Luana Ferraz e outros nomes buscam espaço.
E Felipe Lobo entra nessa corrida com um ativo próprio: uma candidatura nascida em Humaitá e construída com a proposta de transformar a força eleitoral do Sul do Amazonas em representação dentro da Assembleia Legislativa.
Se o MDB realmente conquistar três cadeiras, a terceira vaga está aberta.
E a força que vier do interior pode ser justamente o fator capaz de mudar a ordem dessa disputa.











