Por Manuel Menezes
A situação da ex-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair (PL), ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (6). O delegado Marcelo Martins revelou que a Polícia Civil vai investigar se houve vazamento de informações sobre a operação de busca e apreensão realizada na residência da professora, em Manaus.
A suspeita surgiu após Maria do Carmo publicar um vídeo nas redes sociais, na quinta-feira (5), no qual ironizava a possibilidade de receber os policiais e afirmava estar aguardando a diligência.
Para o delegado, a publicação merece atenção porque pode ajudar a esclarecer se informações sobre a operação circularam antes de seu cumprimento.
Delegado questiona vídeo publicado antes da operação
Em entrevista ao Portal do Holanda, Marcelo Martins confirmou que a Polícia Civil pretende analisar as circunstâncias da gravação divulgada pela ex-candidata.
“Nós temos um vídeo da própria investigada Maria do Carmo, que ontem ironizou a realização da diligência e afirmou que estava aguardando a polícia ir à casa dela.”
A declaração acrescenta uma nova frente à investigação: descobrir se houve comunicação antecipada sobre a ação policial e, caso isso tenha ocorrido, identificar a origem das informações.
Até o momento, não há comprovação pública de que tenha ocorrido vazamento. A publicação do vídeo, isoladamente, não demonstra que Maria do Carmo recebeu informações sigilosas.
Celular e notebook apreendidos poderão esclarecer o caso
Durante a operação, realizada no bairro Nossa Senhora das Graças, policiais civis apreenderam um celular, documentos e um notebook.
Os equipamentos passarão por análise para identificar informações relacionadas à produção e à divulgação de um vídeo que utilizou uma fotografia da filha do governador eleito Omar Aziz (PSD).
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
O objetivo é esclarecer quem produziu, editou e publicou o conteúdo, além de verificar a eventual responsabilidade das pessoas investigadas.
Delegado classifica conteúdo como grave
Marcelo Martins também demonstrou indignação com o material que motivou a investigação.
Segundo o delegado, o vídeo teria manipulado uma imagem familiar para criar uma insinuação de natureza sexual envolvendo Omar Aziz e sua filha.
O investigador afirmou ter ficado impressionado com a gravidade do conteúdo e defendeu uma apuração rigorosa.
A utilização de imagens de crianças e adolescentes em conteúdos dessa natureza exige especial atenção das autoridades, independentemente das disputas políticas entre os envolvidos.
Defesa fala em perseguição política
Os advogados de Maria do Carmo contestaram a condução da operação e denunciaram supostos abusos de autoridade.
A defesa afirma que a ex-candidata está disposta a colaborar com as investigações, nega sua responsabilidade pelo conteúdo investigado e sustenta que a operação teria motivação política.
As alegações também precisam ser examinadas pelos órgãos competentes. O cumprimento de uma ordem judicial, por si só, não caracteriza perseguição.
Caso exige respostas, não confronto político
A investigação ultrapassa os limites de uma disputa eleitoral. O que está em discussão é a possível utilização indevida da imagem de uma adolescente e a identificação dos responsáveis pela produção e circulação de um material considerado grave pela Polícia Civil.
Maria do Carmo tem direito à defesa e à presunção de inocência. Entretanto, sua condição de figura pública não a coloca acima do dever de prestar esclarecimentos às autoridades.
A pergunta que agora precisa ser respondida é objetiva: houve vazamento de informações sobre a operação ou a ex-candidata apenas antecipou publicamente uma diligência que já esperava?
A resposta dependerá das provas reunidas pelos investigadores, especialmente da perícia nos equipamentos apreendidos.
O Amazonas espera que o caso seja esclarecido com rigor, transparência e respeito à legislação, sem privilégios políticos e sem condenações antecipadas.
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