Por Manuel Menezes
A investigação envolvendo a Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam) ganhou novos e graves elementos. Mensagens analisadas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) indicariam que pessoas que se apresentavam como integrantes da equipe de Roberto Cidade (União Brasil) procuraram trabalhadores recém-contratados pela agência.
Nos contatos, foram solicitados dados como nome completo, CPF, título de eleitor, zona, seção, endereço, bairro de atuação e chave PIX. A suspeita investigada é de que contratados ligados à estrutura pública poderiam ser direcionados para atividades eleitorais em benefício da campanha de reeleição do governador.

“Sou da equipe do governador Roberto Cidade”
Um dos prints mostra uma pessoa identificada como Lucas afirmando: “Eu sou da equipe do governador Roberto Cidade”. Em seguida, ele pede o PIX da funcionária e informa que encaminhará um formulário para atualizar seu cadastro.
A mensagem exige uma explicação direta da campanha: quem autorizou esse contato, como o suposto integrante obteve o número da trabalhadora e por que uma equipe eleitoral teria interesse em seu PIX e cadastro?

Outro diálogo é atribuído a uma pessoa identificada como Yano. Ele também se apresenta como integrante da equipe do governador e afirma que precisa atualizar informações da trabalhadora. No cadastro aparecem dados como CPF, título de eleitor, zona e seção eleitoral.

Contratações, pagamentos e operações da PF
O caso começou após uma grande movimentação de pessoal na Aadesam. Dados apresentados pelo MPE apontariam 461 desligamentos entre 1º e 3 de julho, além de mais de 140 admissões no mesmo período, às vésperas das restrições eleitorais.
A Justiça determinou a suspensão das novas contratações e dos pagamentos. Segundo a investigação, trabalhadores receberiam R$ 2 mil e os repasses teriam passado a ser realizados pela empresa KCC, apontada como ligada a um integrante da estrutura de comando da Aadesam.
A Polícia Federal realizou três operações relacionadas ao caso e apreendeu celulares, computadores e documentos. O MPE também pediu o afastamento cautelar do presidente da Aadesam, William Alexandre Silva de Abreu.
Cidade precisa explicar
A investigação ainda não representa uma condenação de Roberto Cidade ou dos demais envolvidos. Caberá à Justiça analisar as mensagens, os pagamentos, os contratos e o material apreendido.
Isso não elimina a responsabilidade política do governador de prestar esclarecimentos. Cidade precisa responder se Lucas e Yano integravam sua equipe, quem forneceu os contatos dos trabalhadores e qual seria a finalidade de solicitar PIX, título de eleitor e região de atuação.
Se ficar comprovado que pessoas contratadas com recursos ligados ao poder público foram recrutadas para trabalhar na campanha, o caso poderá configurar um grave uso eleitoral da máquina estadual.
Emprego público não pode virar moeda de troca. Trabalhador não pode ser transformado em cabo eleitoral de quem controla temporariamente o governo. E o dinheiro da população não pode financiar uma estrutura montada para favorecer a reeleição de Roberto Cidade.
O espaço permanece aberto para manifestação do governador, de sua campanha, do Governo do Amazonas, da Aadesam e dos demais citados.











