De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente das acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas durante uma audiência na Justiça federal de Nova York, nesta segunda-feira, 5.
Maduro compareceu ao tribunal acompanhado de sua mulher, Cilia Flores, sob escolta armada, para responder a quatro acusações, incluindo conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
Segundo a promotoria, ele teria comandado uma rede internacional de tráfico de drogas, com vínculos com os cartéis mexicanos Sinaloa e Zetas, a guerrilha colombiana das FARC e a quadrilha venezuelana Tren de Aragua.
Desde o início das investigações, Maduro nega qualquer envolvimento, alegando que as acusações seriam justificativas para interesses estrangeiros sobre as reservas de petróleo da Venezuela.
“Eu sou inocente”, disse Maduro através de um intérprete, antes de ser interrompido pelo juiz distrital dos EUA, Alvin Hellerstein. “Eu não sou culpado. Sou um homem decente e ainda sou presidente do meu país.”
A esposa de Maduro, Cilia Flores, também se declarou inocente.
Maduro a caminho da audiência de custódia. Que venham muitas revelações sobre Lula. Amém. pic.twitter.com/dQWsg6xXyK
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) January 5, 2026
Os agentes levaram Maduro de um centro de detenção no Brooklyn até o tribunal, em Nova York, com as mãos amarradas. O juiz marcou uma nova audiência para 17 de março.
Acusações e contexto judicial
A acusação aponta que sua atuação no tráfico começou em 2000, quando ingressou na Assembleia Nacional da Venezuela, e se estendeu até sua eleição à Presidência em 2013, depois da morte de Hugo Chávez.
Uma nova denúncia, divulgada no sábado 3, incluiu Cilia Flores e outros nomes entre os corréus.
A denúncia envolve Nicolás Ernesto Maduro, filho do ditador; o ministro do Interior, Diosdado Cabello; o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín; e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, chefe da facção Tren de Aragua.
O caso tem caráter inédito, já que envolve a detenção de um chefe de Estado em exercício por forças estrangeiras, abrindo margem para embates jurídicos pouco comuns nos tribunais dos EUA.
Para o governo norte-americano, o processo reforça a política do presidente Donald Trump de intensificar o combate ao narcotráfico e à imigração irregular. Se condenado, Maduro pode receber pena de 30 anos de prisão ou até prisão perpétua.
Os EUA não reconhecem Maduro como presidente legítimo, sob alegação de fraudes nas eleições de 2018.











