O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, manifestou disposição para ‘colaborar’ com os Estados Unidos na captura de líderes do Tren de Aragua, organização criminosa de origem venezuelana que se expandiu por diversos países das Américas e é considerada prioridade pelo governo norte-americano. A informação foi revelada nessa sexta-feira (26) pela agência Bloomberg.
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, a proposta foi feita no início de setembro, poucos dias depois de os EUA deslocarem oito navios de guerra para o Caribe em uma operação contra o tráfico de drogas.
A iniciativa de Maduro incluiu o envio de uma carta endereçada a Donald Trump, na qual defende diálogo direto como forma de reduzir as tensões entre Caracas e Washington.
O gesto ocorre em meio a uma escalada de atritos bilaterais. Em agosto, forças norte-americanas atacaram uma embarcação venezuelana acusada por Trump de transportar traficantes de drogas — episódio que aumentou a percepção de risco de uma intervenção militar contra o regime chavista.
Histórico de confrontos
Os embates entre Trump e Maduro não são recentes. Ainda em 2017, no primeiro mandato republicano, Trump chegou a mencionar a “opção militar” para lidar com a crise venezuelana.
Três anos depois, em março de 2020, o governo americano acusou formalmente o líder bolivariano de narcoterrorismo e passou a oferecer recompensa de US$ 15 milhões (cerca de R$ 50 milhões) por informações que levassem à sua prisão. Em declarações mais recentes, Trump voltou a acusar Maduro de chefiar um cartel de drogas.
Na correspondência enviada no dia 6 de setembro, quatro dias após o ataque norte-americano ao navio venezuelano, Maduro rejeitou categoricamente as acusações. Segundo ele, apenas 5% da cocaína produzida na Colômbia transita pela Venezuela, e cerca de 70% das drogas que passam pelo país são apreendidas e destruídas pelas forças de segurança locais.
“Presidente, espero que juntos possamos derrotar as falsidades que têm manchado nosso relacionamento, que deve ser histórico e pacífico”, escreveu Maduro. O venezuelano acrescentou ainda que temas como este deveriam ser discutidos em uma conversa direta com o enviado especial de Trump, Richard Grenell, que já havia intermediado negociações sobre deportação de migrantes.
Segundo Maduro, esse canal de comunicação funcionou bem em situações anteriores: “Até o momento, esse canal tem funcionado perfeitamente”, destacou.
Apesar da tensão militar, os voos de deportação de migrantes ilegais para a Venezuela continuam acontecendo duas vezes por semana, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.
No último sábado (20), Trump voltou a aumentar a pressão contra Caracas. Em publicação na Truth Social, afirmou que a Venezuela deverá aceitar o retorno de todos os prisioneiros que, segundo ele, foram enviados forçadamente para os EUA, sob pena de pagar um preço “incalculável”.
(Foto: reprodução redes; Fonte: G1)











