Menu

Lula usa STF como palanque, ignora teia da crise do Banco Master e faz Congresso de trampolim eleitoral

WhatsApp
Facebook
Telegram
X
LinkedIn
Email
Presidente aproveitou holofotes no Supremo para falar de pauta velha que engaja a esquerda e leu balanço gigante de propaganda do governo na mensagem ao Legislativo

Não é praxe, mas o presidente da República pode falar na abertura do ano do Judiciário. Foi o que Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta segunda-feira, 2. O petista aceitou o convite da cúpula do Supremo Tribunal Federal (STF), que está em meio a um fogo cruzado em razão do escândalo do Banco Master, e usou os holofotes voltados à Corte para usar o STF como palanque eleitoral.

Como antecipou a Coluna do Estadão, havia uma expectativa entre os magistrados de que Lula se pronunciasse em defesa das instituições democráticas. Ele aproveitou o gancho, mas não para ressaltar que o Supremo precisa resgatar credibilidade e fazer autocontenção para garantir uma democracia plena no País. Em vez disso, Lula centrou o discurso nos motes de sua campanha de 2026, preso às críticas aos atos golpistas do 8 de janeiro e na retórica da defesa da soberania, para engajar a esquerda.

Lula ignorou a crise reputacional que o caso Master provoca no STF e impacta nos demais poderes. Seu discurso ficou até dissonante do que foi adotado pelo presidente do Supremo. Enquanto Edson Fachin usou tom contundente para defender um código de ética, autocorreção e ressaltar que os magistrados precisam prestar contas de seus atos, Lula preocupou-se em distanciar seu governo do caso Master e “bateu bumbo” sobre a operação Carbono Oculto e o trabalho da Polícia Federal na investigação dos crimes envolvendo gente grande da Faria Lima.

A ordem no Planalto é fazer mais barulho sobre isso para abafar as indagações sobre o encontro de Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro e com o ministro relator do caso, Dias Toffoli. Ou sobre as relações de petistas baianos com o sócio do dono do Master, Augusto Lima.

A defesa mais direta que Lula fez para afastar o STF de críticas foi ao afirmar que o Judiciário não busca protagonismo ou toma para si atributos de outros poderes. Uma vez mais, porém, a declaração reflete muito mais os interesses do Planalto, pois há uma leitura recorrente no Congresso de que Lula e o STF atuam num 2×1 para a Corte legislar.

Mudança no TSE também foi alvo de Lula

O foco nas eleições contido no discurso do presidente Lula também revelou uma preocupação do presidente com a mudança de comando no Tribunal Superior Eleitoral. Pela primeira vez, no pleito de 2026 o TSE estará sob a presidência e vice de dois ministros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro: Nunes Marques e André Mendonça.

A expectativa é de a atuação do TSE seja menos intervencionista. Além disso, Marques e Mendonça não têm o perfil de embate que marcou as eleições de 2022 e foi comemorado pelos petistas.

Lula aproveita mensagem ao Congresso como trampolim para as eleições

Na abertura do ano Legislativo, o presidente Lula seguiu a tradição. Enviou mensagem pelo ministro da Casa Civil, para ser lida no plenário. E também avançou com seu costume de transformar tudo em pauta eleitoral.

Lula enviou ao Congresso um calhamaço com 914 páginas. Foi o maior de todos no governo Lula 3, justamente a gestão que recebe mais críticas por falta de marcas.

O documento não sinalizou soluções para a crise que enfrenta com Câmara e Senado, mas faz um balanço de todas as ações que deseja fazer propaganda, sob o ponto de vista exclusivamente palaciano. Também reforçou o tema que quer levar para o palanque este ano: o fim da escala de trabalho 6×1. É o assunto que anima a militância, mas que ainda não encontra base econômica para ser aprovado, em razão do impacto que pode ter nos custos de produção e no emprego.

Mas quem se importa com a argumentação real em ano de eleições?

Lula sabe que o ano do Legislativo de 2026 começa com uma série de embates que o Planalto deverá enfrentar com Câmara e Senado. Nas pautas com foco de atrito há, por exemplo, a votação do veto do PL da Dosimetria, a indicação de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal, e os textos da PEC da Segurança e PL Antifacção. E é um período curto, pois a partir do segundo semestre, os políticos estarão nas bases na corrida final pelos votos.

Além disso, está em meio aos desconfortos provocados pelas CPI do INSS, ainda em funcionamento, e os pedidos de comissão do Caso Master.