Por Manuel Menezes
Luiz Inácio Lula da Silva voltou a responsabilizar Jair Bolsonaro pelos problemas do Brasil. Entretanto, depois de quase quatro anos de seu terceiro mandato, o presidente também precisa responder pelos resultados de sua própria administração.
Lula recebeu, em janeiro de 2023, um país que havia encerrado 2022 com superávit primário no Governo Central, lucro recorde na Petrobras e recuperação econômica após a pandemia. Mas também herdou inflação, desigualdades e problemas estruturais.
O que aconteceu desde então?
O cronograma das contas que Lula precisa explicar
- 2022: a Petrobras encerrou o governo Bolsonaro com lucro de R$ 188,3 bilhões.
- 2023: no primeiro ano de Lula, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 228,5 bilhões, incluindo despesas extraordinárias.
- 2024: o lucro da Petrobras caiu para R$ 36,6 bilhões, influenciado por fatores operacionais e contábeis.
- 2025: os Correios registraram prejuízo de aproximadamente R$ 8,46 bilhões, enquanto a Petrobras recuperou parte de sua rentabilidade, com lucro de R$ 110,1 bilhões.
- 2026: Lula encerra seu terceiro mandato diante de cobranças sobre equilíbrio fiscal, dívida pública e financiamento de novas promessas sociais.
Lula promete ampliar benefícios. Mas onde estão as garantias de emprego?
Em seu discurso de vitória, Lula prometeu ampliar o Pé-de-Meia e criar uma modalidade universitária.
A educação merece investimentos. Entretanto, a ampliação de benefícios exige recursos permanentes e planejamento.
O brasileiro precisa de oportunidades para estudar, trabalhar, empreender e conquistar independência financeira.
A pergunta é simples: o objetivo do governo é ampliar permanentemente a assistência ou criar condições para que cada vez menos brasileiros precisem dela?
INSS: o dinheiro dos aposentados exige respostas
As denúncias de descontos indevidos em aposentadorias também colocam sobre o governo a responsabilidade de esclarecer falhas de fiscalização, recuperar recursos e garantir punição aos envolvidos.
As investigações devem alcançar todos os responsáveis, independentemente de vínculos familiares ou políticos, respeitando a presunção de inocência.
Depois de tantos anos, até quando a culpa será de Bolsonaro?
Lula governou o Brasil entre 2003 e 2010, retornou em 2023 e agora se prepara para iniciar outro mandato. Seu partido também comandou o Executivo durante os governos Dilma Rousseff.
É legítimo questionar quanto dos problemas nacionais decorre de decisões recentes e quanto resulta de dificuldades acumuladas durante diferentes administrações.
O presidente não pode ser responsabilizado por tudo o que acontece na economia, mas também não pode ser dispensado de prestar contas sobre as decisões de seu governo.
Conclusão: o Brasil precisa de respostas
O desafio de Lula para 2027 será demonstrar como financiar suas promessas, recuperar a sustentabilidade das empresas públicas deficitárias e promover crescimento com geração de empregos.
Programas sociais podem proteger famílias vulneráveis. Mas, sozinhos, não substituem uma política econômica capaz de elevar a produtividade, a renda e as oportunidades.
Lula terá mais quatro anos para governar. O contribuinte, porém, tem o direito de perguntar desde agora: quanto custarão as novas promessas, de onde virá o dinheiro e quais resultados concretos o governo pretende entregar?











