O presidente Lula (PT) aguarda a autorização da Justiça da Argentina para fazer uma visita à ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar após ser condenada por corrupção, segundo O Globo.
O petista manifestou interesse em reencontrar sua antiga aliada em Buenos Aires, durante a Cúpula do Mercosul, prevista para 2 e 3 de julho.
A defesa de Cristina entrou com um pedido para que a Justiça permita a visita de Lula.
No dia seguinte à condenação, o petista publicou uma mensagem de apoio à ex-presidente em sua rede social.
“Telefonei hoje no final da tarde para a companheira Cristina Kirchner e manifestei toda a minha solidariedade. Falei da importância de que se mantenha firme neste momento difícil. Notei, com satisfação, a maneira serena e determinada com que Cristina encara essa situação adversa e o quanto está determinada a seguir lutando”, escreveu no X.
Por outro lado, não há nenhum encontro bilateral previsto entre Lula e o presidente argentino Javier Milei durante a visita do petista ao país.
A postura de distanciamento em relação a um dos principais parceiros comerciais do Brasil foi classificada pela revista britânica The Economist como uma demonstração de falta de pragmatismo, em razão das “diferenças ideológicas”.
Condenação
Em 10 de junho, a Suprema Corte da Argentina confirmou, por unanimidade, a condenação de Cristina Kirchner.
Em novembro de 2024, a Câmara de Cassação havia ratificado a condenação da ex-presidente, considerando comprovada a administração fraudulenta durante seu governo ao favorecer o empresário Lázaro Báez com várias obras públicas na província de Santa Cruz.
O tribunal decidiu que Báez retribuía os benefícios recebidos através de acordos ilícitos envolvendo empresas ligadas à ex-presidente.
“Perseguição política”
O advogado de Cristina, Gregorio Dalbón, está em campanha internacional para vender a ideia de que a condenação teve motivação política, assim como fez Lula, em 2019, quando foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
Em entrevista ao jornal Crónica, Dalbón, afirmou: “Estou em Haia, no Tribunal Penal Internacional, apresentando uma denúncia por perseguição política devido à repressão na Argentina e a esta situação que comprometeu um dos líderes mais importantes da América Latina“, disse Dalbón em conversa telefônica com o Crónica HD.
O advogado afirmou que o “tema de Cristina não é jurídico, porque não há delito“.
Também falou que ela foi condenada “só por ser uma crítica, o mesmo que fizeram com Lula da Silva na Lava Jato“.
Dalbón pretende ainda ir para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA).











