Redação MVE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a usar o escândalo dos descontos indevidos do INSS como arma eleitoral contra Jair Bolsonaro. Durante comício realizado na quinta-feira (24), em Maceió, Lula afirmou que o governo anterior teria criado uma “quadrilha” dentro do instituto.
“Eles criaram a quadrilha e nós prendemos a quadrilha”, declarou o petista, a apenas dez dias do primeiro turno das eleições. Lula também disse que seu governo devolveu R$ 3,5 bilhões a cerca de 5 milhões de aposentados atingidos pelos descontos.
O discurso, porém, esconde uma parte essencial da história: embora as investigações alcancem irregularidades ocorridas desde 2019, o volume dos descontos associativos disparou justamente durante o atual governo.
Descontos mais que quadruplicaram
Dados apresentados durante os trabalhos da CPMI do INSS mostram que os descontos associativos passaram de aproximadamente R$ 800 milhões em 2022, último ano do governo Bolsonaro, para R$ 1,6 bilhão em 2023 e chegaram a R$ 3,5 bilhões em 2024, já sob a administração de Lula.
No mesmo período, os acordos de cooperação técnica mantidos com associações passaram de 16 para 40. Portanto, o valor descontado em 2024 foi mais de quatro vezes superior ao registrado em 2022.
Esses números não significam que todos os descontos fossem fraudulentos, mas mostram que a expansão mais acelerada ocorreu quando Lula já comandava o Palácio do Planalto e seus indicados administravam o Ministério da Previdência e o INSS.
Acusação sem conclusão oficial
A Polícia Federal investiga um esquema que teria movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, período que alcança tanto a gestão Bolsonaro quanto os dois primeiros anos do atual governo Lula.
Até agora, entretanto, não existe conclusão judicial estabelecendo que Bolsonaro tenha “criado” ou comandado uma quadrilha no INSS. A CPMI encerrou seus trabalhos em março de 2026 sem aprovar um relatório final. O parecer do relator Alfredo Gaspar foi rejeitado, enquanto o relatório alternativo apresentado pelos governistas — que pretendia atribuir a Bolsonaro o comando do esquema — sequer foi votado.
Lula, portanto, apresenta como verdade definitiva uma acusação política que não foi confirmada pela CPMI nem por sentença judicial.
Devolver o dinheiro não apaga a omissão
O ressarcimento dos aposentados prejudicados é obrigação do Estado, não um favor eleitoral do presidente. A devolução também não responde à pergunta central: por que os descontos cresceram de maneira tão expressiva em 2023 e 2024 sem que o governo Lula conseguisse interromper o esquema?
Bolsonaro e seus auxiliares devem responder por qualquer irregularidade ocorrida durante sua gestão. Mas Lula não pode usar o governo anterior como cortina de fumaça para apagar o crescimento dos descontos sob sua própria administração.
Ao transformar uma investigação complexa em slogan de comício, Lula tenta posar como herói de um escândalo que também avançou diante dos olhos do seu governo. Aposentados e pensionistas não precisam de propaganda eleitoral. Precisam saber quem permitiu os descontos, quem se beneficiou e por que os controles do INSS falharam durante tantos anos.











