O Ministério das Relações Exteriores passou a tratar com cautela a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Segundo informações divulgadas pela Revista Oeste, o Itamaraty prepara um comunicado oficial sobre o tema após o anúncio feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
A medida anunciada pelo governo dos EUA coloca as duas maiores facções criminosas do Brasil na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras, ampliando instrumentos jurídicos, financeiros e de segurança utilizados pelos americanos no combate ao crime organizado internacional.
Nos bastidores da diplomacia brasileira, existe preocupação de que a classificação possa abrir espaço para pressões internacionais, sanções econômicas e até discussões sobre ações extraterritoriais envolvendo segurança nacional.
Segundo a reportagem, o governo brasileiro avalia cuidadosamente os desdobramentos políticos e jurídicos da decisão antes de se manifestar oficialmente. Fontes diplomáticas ouvidas pela publicação afirmam que o comunicado do Itamaraty deverá ser divulgado ainda nesta sexta-feira.
O anúncio dos Estados Unidos ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reunir-se com Marco Rubio em Washington. Segundo o parlamentar, o secretário americano demonstrou apoio ao enquadramento das facções brasileiras como grupos terroristas.
Em comunicado oficial, Rubio afirmou que PCC e CV comandam milhares de integrantes e promovem ataques violentos contra autoridades, policiais e civis, além de manterem redes criminosas que ultrapassam as fronteiras brasileiras e alcançam outros países da América Latina e até os Estados Unidos.
A discussão sobre o tema vem crescendo há meses dentro do meio político e jurídico brasileiro. Especialistas em segurança pública e integrantes do governo argumentam que as facções brasileiras não se enquadrariam tecnicamente no conceito internacional de terrorismo, já que suas ações possuem motivação financeira e territorial, e não ideológica ou religiosa.
O promotor Lincoln Gakiya, um dos maiores especialistas no combate ao PCC no Brasil, alertou recentemente que a classificação poderia trazer consequências graves para a soberania brasileira. Segundo ele, o enquadramento permitiria que os Estados Unidos tratassem o crime organizado brasileiro como questão de segurança nacional americana, o que poderia resultar em sanções econômicas, restrições internacionais e aumento da atuação de agências estrangeiras.
Apesar das preocupações diplomáticas, autoridades americanas afirmam que a medida faz parte da estratégia do governo Donald Trump de endurecer o combate ao narcotráfico e às organizações criminosas transnacionais em toda a América Latina.
O tema deve aumentar ainda mais a tensão política entre setores ligados ao governo Lula e grupos de oposição, especialmente às vésperas das eleições presidenciais de 2026, quando segurança pública e combate ao crime organizado prometem dominar o debate nacional.
