Internet lidera denúncias de propaganda irregular no Amazonas; candidatos a deputado estadual concentram queixas

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Pardal recebeu 99 denúncias nos primeiros 15 dias da campanha eleitoral; Manaus concentra 91 registros e TRE-AM reforça fiscalização sobre propaganda nas ruas e no ambiente digital.

Por: Redação MVE

MANAUS (AM) — A campanha eleitoral de 2026 completou seus primeiros 15 dias com 99 denúncias de possíveis irregularidades na propaganda eleitoral no Amazonas, segundo levantamento divulgado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM).

Os dados compreendem o período entre 16 e 30 de agosto, desde o início oficial da propaganda eleitoral. A internet aparece no topo das ocorrências, com 27 denúncias, mostrando que a fiscalização da campanha também está cada vez mais concentrada no ambiente digital.

Os registros foram feitos por meio do Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral que permite ao cidadão comunicar possíveis irregularidades e encaminhar fotografias, vídeos, áudios, links e outras evidências.

Deputados estaduais lideram denúncias

Quando os registros são separados pelo cargo disputado, os candidatos a deputado estadual aparecem na primeira posição, com 32 denúncias.

Na sequência estão candidatos a deputado federal, com 28 ocorrências; governador, com 20; senador, com 11; e presidente da República, com duas. Partidos, federações e coligações acumulam outros seis registros.

Os números não significam que os candidatos denunciados tenham cometido irregularidades. O próprio TRE-AM ressalta que cada comunicação precisa passar por análise antes que a Justiça Eleitoral determine se houve efetivamente violação da legislação.

Manaus concentra 91 das 99 denúncias

Outro dado chama atenção pela concentração geográfica.

Das 99 denúncias registradas no Amazonas, 91 são de Manaus.

As outras oito ocorrências estão distribuídas entre São Gabriel da Cachoeira, Maués, Atalaia do Norte e Iranduba.

Até o período contabilizado pelo TRE-AM, portanto, a capital respondeu por aproximadamente 92% de todas as denúncias apresentadas pelo Pardal no estado.

Internet está no centro da fiscalização

A propaganda na internet responde por 27 registros e lidera entre os tipos de ocorrência.

Em seguida aparecem o uso de carro de som, minitrio e trio elétrico, com 12 denúncias, e propaganda em bens particulares, também com 12.

O sistema recebeu ainda comunicações relacionadas a propaganda em vias e bens públicos, adesivos em veículos, distribuição de material gráfico, brindes, telemarketing, outdoors, comícios e outras modalidades.

A preocupação com o ambiente digital não é exclusiva do Amazonas. Em levantamento nacional divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no último dia 24, o Pardal já acumulava 3.468 denúncias em todo o Brasil, das quais 599 estavam relacionadas à propaganda na internet.

TRE-AM também encontrou propaganda irregular em carros de aplicativo

A fiscalização não está restrita às denúncias feitas pela população.

Na sexta-feira (28), equipes do TRE-AM realizaram uma operação preventiva em Manaus e identificaram dois veículos utilizados por motoristas de aplicativo exibindo propaganda eleitoral.

Segundo o Tribunal, um dos motoristas informou que havia recebido promessa de pagamento para veicular a propaganda. Outro declarou que trabalhava com o candidato e aguardava pagamento. As ocorrências foram registradas para as providências da Justiça Eleitoral.

O TSE considera veículos utilizados no transporte de passageiros por aplicativo como bens de uso comum para fins eleitorais, o que impede a utilização desses automóveis para esse tipo de propaganda. A publicidade mediante pagamento ou promessa de vantagem financeira também é proibida.

Denúncia não significa condenação

O TRE-AM faz um alerta importante diante da divulgação dos números.

Uma denúncia registrada no Pardal não significa que uma irregularidade tenha sido comprovada.

Segundo o coordenador do Núcleo de Fiscalização Virtual, Cláudio Albuquerque, as comunicações passam inicialmente por análise das informações e provas apresentadas. Depois, podem ser encaminhadas ao juízo eleitoral competente e, quando houver indícios de crime eleitoral, ao Ministério Público Eleitoral.

A identificação do cidadão que utiliza o sistema permanece protegida por sigilo.

Com a campanha entrando em setembro e aumentando a circulação de material político nas ruas e principalmente nas redes sociais, a tendência é de intensificação tanto da propaganda quanto da fiscalização.

Os primeiros 15 dias já deixam um alerta para candidatos e apoiadores: na eleição de 2026, celular, redes sociais e internet não são apenas ferramentas de campanha — também se tornaram alguns dos principais espaços de fiscalização eleitoral.