INSS registra contratos de consignado para beneficiários com mais de 120 anos de idade

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Não há registro de pessoas vivas com essa idade no Brasil

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registra 86 contratos de crédito consignado ativos para beneficiários com mais de 120 anos de idade. Esse número é pequeno diante do total de contratos ativos, que somam 57,3 milhões, mas chama a atenção porque não há registros de pessoas vivas com essa idade no Brasil.

Os dados foram divulgados pelo jornal Folha de SPaulo, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Em 13 de agosto, o veículo pediu ao INSS o número de beneficiários com mais de 120 anos. O órgão solicitou prazo extra, alegando depender de extração de dados feita pela Dataprev, mas não respondeu novamente.

A Federação Brasileira de Bancos afirmou, em nota, que desconhece consignados para aposentados com idade superior a 120 anos. “Não parece minimamente imaginável que uma pessoa de 120 anos tenha tomado um empréstimo bancário, a não ser que o registro dessa informação decorra de erro material nos dados cadastrais do cliente ou seja fruto de golpe ou fraude”, declarou a entidade em nota.

Os consignados para aposentados e pensionistas estão sob investigação da operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de mensalidades associativas.

Fragilidades no sistema de consignados do INSS

Em 2024, a Controladoria-Geral da União relatou falhas na fidedignidade das informações dos consignados. Citou averbações em benefícios inelegíveis e contratos acima do teto de juros. O órgão recomendou ajustes nas regras, mas não apresentou conclusão definitiva.

Dados do INSS mostram alta na averbação de consignados. Em janeiro de 2025, foram 3,1 milhões de registros, 55,5% a mais que em janeiro de 2024.

Os dados da LAI abrangem contratos firmados entre junho de 2020 e junho de 2025, ainda ativos no mês passado. As modalidades são empréstimo, cartão de crédito e cartão de benefícios. A maioria dos contratos está ligada a pensões ou aposentadorias rurais. Apenas cinco correspondem a pensões urbanas.

Segundo o INSS, há ainda 2,5 milhões de contratos ativos para beneficiários entre 80 e 120 anos. Nessa faixa etária, o crédito não é proibido, mas tende a ser mais caro ou restrito devido ao risco de inadimplência. A lei prevê quitação automática da dívida em caso de morte do tomador, o que aumenta o risco para bancos.

Os dados obtidos pela LAI mostram também 890 contratos de consignado para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) com menos de 60 anos. Pela lei, a idade mínima para receber o benefício é de 65 anos.

O levantamento considera apenas o BPC voltado a idosos. Não inclui operações associadas ao benefício destinado a pessoas com deficiência, que não tem limite de idade. O INSS, porém, não esclareceu quantos beneficiários com menos de 65 anos recebem o BPC idoso, nem informou se as concessões decorrem de decisões judiciais.