Por: [Manuel Menezes]
David Almeida afirmou em entrevista à BandNews Difusora que “sua ideologia é o Amazonas”. Mas se a ideologia é exclusivamente regional, por que os elogios reiterados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocuparam espaço central na fala do pré-candidato ao Governo do Estado?
A entrevista, concedida à jornalista Rosiene Carvalho, levantou mais questionamentos do que respostas — especialmente sobre o posicionamento político real do prefeito.
Se não há definição partidária, por que a sinalização ao Planalto?
David declarou que ainda não conversou com diretórios nacionais e que não definiu apoio presidencial. No entanto, fez questão de afirmar que Lula “foi muito bom para o Amazonas” e que “ajudou muito” o estado, inclusive na Reforma Tributária.
A pergunta que surge é: trata-se apenas de reconhecimento institucional ou de uma construção gradual de alinhamento político?
Em ano pré-eleitoral, cada palavra é medida. E elogios reiterados dificilmente são casuais.
Neutralidade estratégica ou cálculo eleitoral?
Ao dizer que “quem quiser votar em mim, vote; quem quiser votar no presidente Lula, vote no presidente”, o prefeito tenta ocupar um espaço de independência. Mas seria isso neutralidade ou estratégia para manter diálogo tanto com o eleitorado conservador de Manaus quanto com o interior, onde há maior presença de eleitores alinhados à esquerda?
Se a candidatura pretende ser estadual, é inevitável escolher um campo político em algum momento. A dúvida é: essa definição já existe nos bastidores?
Reforma Tributária: apoio ou risco?
David destacou que o presidente ajudou Manaus na recente aprovação da Reforma Tributária. Mas o tema ainda gera incertezas sobre os impactos futuros na Zona Franca.
Houve garantias concretas ou apenas promessas políticas? O eleitor amazonense recebeu explicações detalhadas sobre eventuais riscos econômicos?
Alianças formadas e portas abertas
No campo partidário, o prefeito já conta com Avante, Agir e PDT. A base começa a se consolidar. Ao mesmo tempo, ao ser questionado sobre a possibilidade de o vice-governador assumir protagonismo, respondeu: “quem disse que está definido? Ainda tem muita água para correr”.
Seria um recado político ou apenas cautela pública?
Operação Erga Omnes: coincidência de timing?
As declarações ocorrem em meio à operação Erga Omnes, conduzida pela Polícia Civil, que prendeu sua ex-chefe de gabinete, investigada por suposta ligação com o Comando Vermelho.
Ainda que o prefeito não seja alvo direto, o episódio inevitavelmente coloca a gestão sob escrutínio. Em um momento de articulação eleitoral, o contexto pesa.
Discurso regional ou posicionamento disfarçado?
Se a ideologia é o Amazonas, por que a insistência em reforçar proximidade com o governo federal? Se não há definição presidencial, por que os sinais públicos caminham em uma direção?
Na política, raramente há declarações inocentes. E quando um pré-candidato fala tanto sobre neutralidade, talvez a principal pergunta seja: neutralidade para quem?











