Por: Manuel Menezes
O Brasil encerrou 2025 com um número que impressiona: os bancos registraram um lucro líquido recorde de R$ 255 bilhões. Enquanto isso, milhões de brasileiros continuam enfrentando dificuldades para pagar contas, renegociar dívidas e conseguir crédito sem cair em juros considerados entre os mais altos do mundo.
É impossível ignorar o contraste. De um lado, famílias apertadas pelo custo de vida, empresários lutando para manter seus negócios e trabalhadores vendo grande parte da renda comprometida. Do outro, instituições financeiras acumulando resultados históricos.
A taxa Selic chegou a 15% ao ano, elevando o custo do dinheiro para toda a economia. Embora a Selic seja definida pelo Banco Central, seus efeitos recaem diretamente sobre quem precisa de financiamento, empréstimos ou utiliza o cartão de crédito. Em muitas modalidades, os juros cobrados ao consumidor ultrapassam centenas de pontos percentuais ao ano, tornando a inadimplência uma armadilha difícil de escapar.
Também chama atenção a forte concentração do sistema bancário brasileiro. Poucas instituições controlam a maior parte do crédito concedido no país, reduzindo a concorrência e dificultando que consumidores tenham acesso a alternativas mais vantajosas.
Nesse cenário, cabe ao poder público discutir medidas que ampliem a competição, reduzam o custo do crédito e fortaleçam mecanismos de proteção ao consumidor. Afinal, um sistema financeiro saudável deve contribuir para o crescimento da economia, e não ampliar a sensação de que o crédito é acessível apenas para poucos.
O resultado recorde dos bancos levanta uma pergunta que muitos brasileiros fazem diariamente: se as instituições financeiras acumulam lucros históricos, por que o crédito continua tão caro para quem produz, trabalha e empreende?
Uma economia forte precisa de bancos sólidos, mas também precisa de cidadãos capazes de investir, consumir e crescer sem serem sufocados pelo peso dos juros. Encontrar esse equilíbrio continua sendo um dos maiores desafios do Brasil.
