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Governo Lula critica novas tarifas impostas pelos EUA e avalia resposta na OMC

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O governo brasileiro reagiu com preocupação à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 10% sobre todas as exportações brasileiras para o mercado norte-americano, anunciada nesta quarta-feira (2). A medida amplia as restrições já existentes sobre produtos como aço, alumínio e automóveis, o que, segundo o Brasil, representa uma violação dos compromissos assumidos pelos EUA perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).

”O governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 2 de abril, de impor tarifas adicionais no valor de 10% a todas as exportações brasileiras para aquele país”, diz nota assinada pelo Itamaraty e o Ministério

Os impactos da nova tarifa serão significativos para o comércio bilateral. Em 2024, os Estados Unidos registraram um superávit comercial de US$ 7 bilhões em bens e de US$ 28,6 bilhões quando incluídos serviços, tornando o Brasil o terceiro maior gerador de superávits para a economia norte-americana. No acumulado dos últimos 15 anos, esse saldo positivo para os EUA já soma US$ 410 bilhões.

Diante desse cenário, o governo brasileiro considera que a justificativa apresentada pelos EUA – a necessidade de “restabelecer o equilíbrio e a reciprocidade comercial” – não se sustenta. Para o Brasil, a decisão é unilateral e pode prejudicar setores produtivos nacionais que dependem do mercado norte-americano.

Em resposta, o governo anunciou que irá intensificar o diálogo com autoridades norte-americanas para tentar reverter a medida. Além disso, o Brasil estuda recorrer à OMC para contestar a imposição das tarifas e defende a aprovação do Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica. A proposta foi aprovada com celeridade, pela Câmara e pelo Senado, como forma de garantir uma resposta proporcional às restrições impostas por outros países. Agora, o texto segue para sanção do presidente para virar lei.

O governo também pretende dialogar com o setor privado para avaliar estratégias de defesa dos interesses dos exportadores brasileiros. Paralelamente, continuará buscando uma solução negociada com os EUA, mas sem descartar medidas mais firmes para proteger a economia nacional.