Gleisi ataca mercado, cita PCC e chama investidores de autoritários: criticar Lula virou crime?

WhatsApp
Facebook
Telegram
X
LinkedIn
Email
Em postagem polêmica, ministra associa o mercado financeiro ao bolsonarismo, menciona o crime organizado e defende a política econômica de Lula, provocando questionamentos sobre intolerância às críticas.

Por Manuel Menezes

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), provocou polêmica nesta segunda-feira (2) ao publicar uma mensagem atacando o mercado financeiro e defendendo o presidente Lula.

Na publicação, Gleisi afirmou:

“Esse mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo.”

A ministra acusou agentes do setor de terem apoiado Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais e relacionou o nervosismo dos investidores à possibilidade de Lula conversar com o economista André Lara Resende.

A declaração levanta uma questão: desde quando discordar da política econômica de um governo significa ser autoritário?

Gleisi mistura mercado financeiro, PCC e bolsonarismo

Um dos trechos mais controversos da postagem foi a referência ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Gleisi mencionou uma ala do mercado associada à facção criminosa, citou investigações policiais e afirmou que praticamente todos os integrantes do setor seriam bolsonaristas.

A existência de criminosos investigados por operações financeiras ilegais não autoriza generalizações sobre milhares de profissionais e instituições que atuam legalmente.

Combater o crime organizado é obrigação do Estado. Associar politicamente um setor inteiro a essas práticas é outra questão.

E a responsabilidade fiscal do governo?

Gleisi também afirmou que Lula sempre foi responsável fiscalmente, citando superávits primários, controle da inflação e pagamento da dívida com o FMI.

Entretanto, resultados históricos não eliminam a necessidade de avaliar as contas públicas atuais.

Investidores têm o direito de cobrar transparência, equilíbrio fiscal e segurança econômica, assim como o governo tem o direito de discordar de suas propostas.

Questionar os gastos públicos não é autoritarismo. É parte do debate democrático.

Na minha avaliação, Gleisi Hoffmann erra ao transformar divergências econômicas em acusações políticas generalizadas.

O Brasil precisa de investimentos, empregos e estabilidade. Isso exige diálogo, não ataques a quem discorda do governo.

A ministra tem o direito de defender Lula, mas também precisa reconhecer o direito dos brasileiros de questionar suas decisões.

Se conversar é uma virtude democrática, como Gleisi afirma, por que tratar com tanta hostilidade quem pensa diferente?

O governo não está acima das críticas, e o mercado financeiro não está acima da lei.

A democracia não pode valer apenas para quem concorda com o governo. E responsabilidade fiscal não se comprova atacando investidores, mas apresentando resultados à população.

Confira a postagem completa de Gleisi Hoffmann

A publicação foi feita nesta segunda-feira (2), no perfil oficial da ministra na rede social X.

Reprodução: X/@gleisi – 2 de novembro de 2026.