A recondução da conselheira Yara Lins à presidência do Tribunal de Contas do Amazonas, nesta segunda-feira, deveria ser apenas uma solenidade institucional. Mas o que mais chamou atenção não foi a vitória da conselheira — e sim o clima polar entre o senador Omar Aziz e o prefeito de Manaus David Almeida.
Omar chegou sério, cumprimentou autoridades, participou da composição da mesa e manteve seu tradicional semblante calculado. Mas, quando se aproximou do prefeito David Almeida, o gesto esperado — um aperto de mão protocolar — simplesmente não aconteceu. Nem um toque, nem um sorriso, nem sequer um olhar lateral.
O momento virou o símbolo perfeito do que políticos, assessores e observadores já comentam há semanas nos bastidores:
O racha político entre Omar e David não é mais especulação — é uma realidade palpável.
Silêncio ensurdecedor, frieza explícita — e um recado político
Em eventos desse porte, o mínimo esperado é a cordialidade institucional. A falta dela não é acidente:
é mensagem, é sinal, é ruptura anunciada.
Para aliados presentes, a cena foi vista como o capítulo mais visível de uma crise que há meses vem crescendo entre o senador e o prefeito. David já declarou, em outras ocasiões, que se sentiu “ameaçado politicamente” por aliados de Omar. Omar, por sua vez, respondeu que “não veste carapuça de ameaças” e que seguirá sua pré-candidatura ao governo “com ou sem” o apoio de David.
A troca de olhares inexistentes no TCE só confirmou:
A relação está quebrada — talvez irreversível
O que está em jogo? A vaga de vice-governador.
Com Omar Aziz já articulando sua candidatura ao governo em 2026, cresce a disputa interna pelo nome que ocupará a vaga de vice-governador — posição estratégica e decisiva.
Três nomes despontam como favoritos nos bastidores:
- Saullo Vianna — Deputado Federal
Jovem, articulado e com trânsito forte no interior.
Representa renovação, mas também firmeza política.
Nome visto como “compatível” com a narrativa de modernização que Omar pretende vender.
- Anderson Sousa — Ex-prefeito e Presidente da Associação Amazonense de Municípios
Tem base municipalista ampla.
É visto como ponte com prefeitos do interior, algo vital numa disputa majoritária.
Sua entrada significaria força política para Omar fora da capital.
- Bosco Saraiva — Superintendente da SUFRAMA
Experiente, conhecido e altamente habilidoso na articulação política.
Representa segurança e capacidade de governabilidade.
Agrada empresários, setores industriais e parte da elite política.
Esses três nomes já circulavam como opções, mas com o racha entre Omar e David ficando cada vez mais evidente, a escolha ganhou contornos diferentes: agora, não se trata apenas de composição eleitoral — trata-se de sobrevivência política.
Impacto do racha: quem perde, quem ganha, e o que muda no jogo
O distanciamento no TCE-AM mostrou que:
Omar já não conta com o apoio automático de David Almeida.
David pode apoiar outro candidato ao governo — ou até lançar seu próprio nome.
A base aliada tende a se fragmentar.
Prefeitos do interior começam a repensar fidelidades.
O TCE-AM se torna peça crucial na disputa por poder.
E tudo isso em meio a uma eleição onde cada grupo quer controlar orçamento, narrativa e influência.
Colapso anunciado ou estratégia calculada?
Seja qual for o desfecho, o gesto de Omar — ou a recusa dele — mostrou o que políticos preferem esconder:
que os bastidores estão fervendo.
Num evento histórico para o TCE-AM, a grande manchete não foi Yara Lins, mas sim:
O aperto de mão que não existiu.
A partir daqui, a política do Amazonas entra numa nova fase — marcada por desconfiança, movimentos subterrâneos e a disputa aberta por quem estará ao lado de Omar Aziz na majoritária de 2026.
A pergunta que fica é:
Quem será o vice? E quem será o inimigo?
Porque, em 2026, no Amazonas, as duas coisas podem ser decididas no mesmo dia.











