Durante oitiva no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, 19, o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, afirmou que não foi orientado pelo então presidente Jair Bolsonaro a movimentar tropas a fim de viabilizar um suposto golpe, em 2022, e evitar a posse de Lula.

“Em nenhum momento”, declarou, em resposta a uma interpelação feita pelo advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi.

De acordo com o general, a passagem do cargo ocorreu de forma “pacífica”. “Discutimos quais seriam as datas para a passagem de comando”, relembrou. “Por intermédio do ministro da Defesa, certamente com orientação do senhor presidente da República, recebi José Mucio, com o general Arruda, que iria me substituir. Fizemos um almoço e uma apresentação completa de toda a estrutura de funcionamento do Exército.”

Testemunhas, além de Freire Gomes

1ª Turma STF
Julgamento da denúncia contra Jair Bolsonaro pela 1ª Turma do STF – 25/3/2025 | Foto: Fellipe Sampaio /STF

General é advertido por Moraes

Na oitiva, Moraes subiu o tom com o general, por entender que havia contradição no depoimento do militar. “Antes de responder, pense bem”, avisou o magistrado. “A testemunha não pode deixar de falar a verdade. Se mentiu na polícia, tem que falar que mentiu na polícia. Não pode, agora, no STF dizer que não sabia. Ou o senhor falseou a verdade na polícia, ou está falseando aqui.”

Moraes observou que, à Polícia Federal, Freire Gomes afirmou que esteve em uma reunião, no fim de 2022, na qual Bolsonaro teria tratado de um suposto plano de golpe. Conforme Moraes, o general relatou à PF que o então comandante da Marinha, almirante Garnier Santos, tinha concordado com o que seria uma trama de ruptura institucional. No depoimento de hoje ao STF, Freire Gomes afirmou que não viu “conluio” por parte de Garnier.

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