Flávio poupa Omar em Manaus e surpreende bolsonaristas com sinal de diálogo político

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Em ato de campanha na Ponta Negra, presidenciável pediu votos para Maria, criticou adversários nacionais e fez promessas ao Amazonas, mas não citou Omar Aziz. O silêncio não representa apoio, mas chama atenção diante da aposta da candidata na proximidade com Flávio.

Por: Manuel Menezes

Manaus (AM) – A passagem de Flávio Bolsonaro por Manaus, na noite de segunda-feira (19), deixou uma pergunta no centro da disputa estadual: por que o senador pediu votos para Maria do Carmo, mas não mencionou Omar Aziz, adversário da candidata no segundo turno?

No ato realizado na Ponta Negra, Flávio criticou o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, falou sobre a BR-319 e a Zona Franca de Manaus e prometeu apoio ao combate às queimadas. Apesar de estar em um evento voltado a fortalecer a candidatura de Maria, não dirigiu críticas a Omar. A ausência foi registrada por veículos que acompanharam a visita.

O silêncio não significa que Flávio tenha mudado de posição: ele declarou apoio a Maria. Mas a escolha de não confrontar Omar enfraquece a tentativa de transformar a proximidade com o presidenciável em argumento decisivo para a disputa estadual. Apoio nacional pode reforçar uma campanha, mas não substitui a apresentação de propostas e a demonstração de capacidade para governar o Amazonas.

Omar coloca a interlocução no centro do debate

No debate da TV Norte, realizado em 13 de outubro, Omar respondeu a uma pergunta de Maria sobre seu candidato à Presidência. Ele declarou apoio a Lula, mas também ressaltou os anos de convivência parlamentar com Flávio e afirmou: “Minha relação com o Flávio é dez vezes melhor do que a senhora.”

A fala foi uma resposta direta à estratégia de Maria, que apresenta sua proximidade com Flávio como uma vantagem para o Estado. Omar sustentou que a interlocução política pode ultrapassar diferenças partidárias e que um governador precisa buscar diálogo com diferentes forças para defender os interesses do Amazonas.

Esse argumento ganha destaque diante do discurso feito em Manaus. Flávio apoiou Maria, mas não usou o palanque para contestar Omar ou questionar sua capacidade de diálogo. No mesmo ato, apresentou promessas para o Estado; sobre o combate às queimadas, porém, não detalhou quais medidas adotaria caso eleito.

A disputa exige respostas para o Amazonas

O episódio evidencia o contraste entre duas estratégias. Maria tenta associar sua candidatura ao apoio de uma liderança nacional; Omar procura destacar sua experiência política e a possibilidade de manter interlocução com diferentes campos. Para o eleitor, a questão central permanece: quais propostas serão apresentadas e como poderão ser executadas no Estado?

Flávio tem o direito de apoiar sua aliada, mas sua passagem por Manaus não respondeu ao confronto estadual entre Maria e Omar. Ao evitar citar o adversário de sua candidata, deixou em evidência que a disputa pelo Governo do Amazonas precisa ser decidida pelas propostas e pela capacidade de cada concorrente de atender às necessidades da população.

Redação MVE