A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para transferir Jair Bolsonaro (PL) da custódia para a Papudinha, localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, provocou reação imediata de familiares do ex-presidente.
A medida integra a Execução Penal 169 e foi formalizada no despacho que autorizou a mudança da Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF (PMDF), dentro da Papuda. A decisão prevê novas condições de custódia, como atendimento médico, visitas em horários ampliados e realização de perícia por junta médica oficial.
Filhos de Bolsonaro querem domiciliar
Nas manifestações públicas, Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro criticaram a decisão e defenderam que o ex-presidente deveria cumprir a pena em prisão domiciliar. Os dois também citaram o estado de saúde de Bolsonaro e contestaram os fundamentos da condenação, apontando o que classificam como seletividade, perseguição e risco real à integridade física do ex-presidente no sistema prisional.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) reagiu à transferência do pai com críticas ao ministro do STF. “lexandre de Moraes, suas qualidades como ser humano não merecem ser enumeradas diante de tamanha maldade praticada contra o último presidente do Brasil que jamais descumpriu uma linha da Constituição e também contra os presos do 8 de janeiro”, escreveu.
Carlos sinalizou que “aliados do PT já praticaram atos muito mais graves e nada lhes aconteceu”. “Ainda assim, condenar Jair Bolsonaro representa o maior dos absurdos.”
“Jair Bolsonaro estava em Orlando, nos Estados Unidos, no dia 8 de janeiro. Não se encontrava na Praça dos Três Poderes”, disse. “Portanto, não destruiu absolutamente nada”, declarou. Ele disse que a condenação por “organização criminosa armada” e negou a caracterização de movimento armado no episódio.
Ao falar dos riscos de Bolsonaro na Papudinha, ele listou “principais doenças e comorbidades documentadas” do ex-presidente:
- Refluxo gastroesofágico com esofagite;
- Hipertensão essencial primária (pressão alta);
- Doença aterosclerótica do coração;
- Oclusão e estenose de carótidas;
- Apneia do sono;
- Falta de ferro no sangue;
- Labirintite agravada (quedas inevitáveis); e
- Carcinoma de células escamosas (câncer de pele).
“Meu pai não tem que ir para presídio nenhum, ele tem que ir para casa”, defendeu. “Todos nós sabemos que meu pai, presidente Jair Bolsonaro, não cometeu crime nenhum. Todos nós sabemos de suas comorbidades e problemas de saúde. Outras pessoas, por outros motivos, já foram para casa por muito menos. Infelizmente, isso não está acontecendo com o presidente Jair Bolsonaro.”
Carlos ainda disse que a situação configuraria “perseguição política” e “tortura psicológica diária”, e projetou 2026 como um marco político: “Todos vocês já sabem que se trata de uma perseguição política, uma tortura psicológica diária”.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atribuiu motivação política à medida e disse que o objetivo seria afastar o ex-presidente do cenário eleitoral: “Isso demonstra, mais uma vez, a sua total insensibilidade”. “A gente sabe que, além de não ter cometido crime algum, de não ter havido nenhuma tentativa de golpe no Brasil, a prisão de Bolsonaro só serve para tirá-lo da corrida presidencial.”
Segundo ele, Moraes agiria “a todo custo” para impedir influência do ex-presidente nas eleições. “Alexandre de Moraes ainda quer que ele não tenha influência sobre as eleições deste ano. Este é o motivo real, o motivo político pelo qual Alexandre de Moraes não cede em enviar Bolsonaro para uma prisão domiciliar — o que já seria injusto por si só.”
“Em virtude de outros casos muito mais leves, como o do ex-presidente Fernando Collor, que está em prisão domiciliar, sob decisão de Alexandre de Moraes, por ter apneia do sono”, disse. “Não preciso entrar aqui nos detalhes das condições de saúde de Bolsonaro, que são muito mais gravosas e vocês todos conhecem.”
Ao final, Eduardo Bolsonaro afirmou que a situação deveria ser denunciada e pediu mobilização política. “Então fica aqui a denúncia, porque ela tem que ser feita, para nós sabermos contra quem nós estamos lidando”, declarou.
Flávio questiona tratamento a Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também criticou a decisão e levantou questionamentos sobre tratamento desigual: “Se fosse com o ex-presidente Michel Temer, Alexandre de Moraes estaria agindo da mesma forma?”
Em seguida, mencionou efeitos colaterais dos medicamentos usados pelo pai. “Os remédios que Bolsonaro toma para seu atual problema crônico de soluços têm efeitos colaterais como desequilíbrio e sonolência. Concretamente, já teve uma queda em que bateu com a cabeça.”
Flávio Bolsonaro também afirmou que o episódio poderia ter tido desfecho mais grave e citou o risco de o ex-presidente estar sozinho na cela. “Poderia, sim, ter sido encontrado morto – sozinho – na cela da Polícia Federal”, disse.
“Espero que, em breve, a lei seja cumprida e Bolsonaro seja transferido para sua casa, o único local onde esse risco de queda pode ser amenizado – enquanto os médicos não solucionam o problema em definitivo”, acrescentou.











