A fila de famílias habilitadas para entrar no Bolsa Família avançou pelo quinto mês seguido e alcançou 987,6 mil em novembro de 2025. Este é o maior número desde julho de 2022, quando 1,6 milhão aguardava a concessão do auxílio emergencial. O aumento da fila deve-se, sobretudo, ao represamento das concessões pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
O programa atende, atualmente, 18,7 milhões de famílias. O recorde histórico ocorreu em dezembro de 2021, depois da pandemia de covid-19, com 2,8 milhões de pessoas. Esses números são do Ministério do Desenvolvimento Social, divulgados nesta quinta-feira, 20, pelo site Poder360.
Desde o início do mandado do petista, 2,9 milhões de beneficiários deixaram de receber o auxílio. O governo federal afirma que parte dessas pessoas saiu por aumento de renda. A exclusão de outra parcela ocorreu pela identificação de fraudes. Além disso, há casos de famílias que não acessam o benefício mesmo depois de apresentarem toda a documentação necessária.
Bolsa Família pode sofrer mais cortes
O represamento de recursos ocorre enquanto o governo busca equilibrar as contas de 2025. O programa encerrou o 1º semestre atendendo 20,5 milhões de famílias. Depois disso, porém, cortes reduziram o total para 18,7 milhões. Sem essa redução, segundo técnicos, não haveria recursos suficientes para manter os pagamentos até o fim do ano.
De janeiro a novembro, o Bolsa Família consumiu R$ 146,5 bilhões. O orçamento autorizado para 2025 é de R$ 158,6 bilhões. Portanto, restam R$ 12,1 bilhões para dezembro, valor inferior aos R$ 12,7 bilhões gastos em novembro.
Para fechar a folha do próximo mês, o governo terá de promover novos cortes. A tendência é que as famílias na fila só recebam o benefício em 2026.
Impacto político dos cortes
A decisão de segurar as concessões pode ter custo político para o presidente Lula em 2026. As famílias pré-habilitadas comprovam renda per capita de até R$ 218 mensais. Se todas realmente precisarem do benefício, quase 1 milhão terminará o ano em situação financeira crítica.
Ao Poder360, o Ministério do Desenvolvimento Social afirmou que “variações no número de famílias atendidas pelo Programa Bolsa Família são normais e decorrem da atualização contínua do Cadastro Único”.
“O Cadastro Único possui cronograma anual de processos de averiguação e revisão cadastral”, continuou o órgão. “Tratam-se de medidas que não possuem o objetivo de economizar recursos, mas assegurar a correta aplicação dos benefícios e a eficiência na gestão”.
O ministério não explicou como administrará os recursos de dezembro. Para incluir mais famílias, o governo poderá pedir crédito suplementar ou bloquear verbas de outras áreas.











